Conflito entre irmãos na empresa familiar – Por Aleteia Lopes

*Coluna por Aletéia Lopes, 21/06/2022

Ultimamente a mídia vem especulando muito o caso de um possível desentendimento existente entre as duas irmãs, sócias e famosas no meio artístico, Simone e Simaria. Muitos canais de comunicação divulgam que as irmãs não conseguem mais se entender profissionalmente e isso inclusive se repercute nas relações familiares. Vendo essa situação, isso me faz remeter a diversos casos que acompanhei durante minha trajetória como consultora de Governança Familiar, onde é muito comum encontrarmos verdadeiros duelos entre irmãos dentro das instalações da empresa, com cenas caóticas que são acompanhadas pelos funcionários, que na maioria das vezes não sabem o que fazer numa situação tão extrema e delicada como é um conflito entre irmãos.

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Mas o que poderia ser identificado como causador dessa “guerra fria” entre irmãos na empresa familiar? Assim como estamos acompanhando nas redes sociais com as cantoras Simone e Simaria?

Talvez as primeiras razões que possam vir à sua mente para responder a essa pergunta seja o dinheiro ou até mesmo o poder. Porém, após muito trabalhar atendendo famílias empresárias, posso afirmar que nenhum dos dois fatores é o maior causador dessas disputas, e sim, um terceiro, que apesar de muito importante, tem sido menosprezado em diversas situações: o reconhecimento. No entanto, a busca pelo reconhecimento nem sempre está tão evidente, mas sim, nas entrelinhas das atitudes da maioria dos irmãos herdeiros.

Já vi muitos filhos herdeiros adoecerem, sofrerem profundamente pelo excesso de cobrança que impõem sobre si mesmos em busca do reconhecimento do pai, do irmão, da sociedade ou até deles mesmos. Esse ato do herdeiro querer assumir uma posição de liderança na empresa familiar em busca de reconhecimento, muitas vezes é extremamente desgastante e adoecedor.

No caso de herdeiros de uma empresa familiar com o fundador na liderança, essa disputa por reconhecimento torna-se, na verdade, uma disputa pelo amor do fundador e é uma realidade que ocorre com bastante frequência dentro das famílias empresárias. Algo que causa muita disputa entre irmãos.

Mas por que o reconhecimento do pai se torna algo tão disputado dentro das famílias empresárias? Geralmente, quando algo se torna causa de disputa é porque é raro. No caso, provavelmente, esse pai não tenha o costume de reconhecer as conquistas pessoais de seus filhos, o que os leva a tentar agradá-lo de qualquer forma.

A questão é que essa postura do fundador não ocorre por falta de amor ou cuidado com os filhos, mas sim, porque no passado, ele também não teve o reconhecimento de seu próprio pai com facilidade, como já mencionado. Isso só foi conquistado através de muito trabalho, porque ele conseguiu sair do nada, construir uma fortuna, um império para então, ser reconhecido (ou não).

Só que muitas vezes, esse fundador acaba não reconhecendo nenhum de seus filhos como seu sucessor na empresa e, de repente, decide, dizendo aos filhos:

— Estou saindo da presidência. Estou muito cansado para isso tudo. Vou me aposentar e vocês aí, meus filhos, que decidam quem vai assumir a empresa.

Com isso, talvez, o que venha a ocorrer nesse negócio, na verdade, está longe de ser um processo de sucessão. Esse é o anúncio de uma guerra pela presidência – o que pode gerar consequências graves. O cenário resultante é de destruição!

Cabe a esse fundador assentar-se novamente em sua cadeira de presidente para então, avaliar com ajuda de uma consultoria especializada, e após perceber quem está mais preparado para assumir o comando da empresa, decidir quem será o seu sucessor.

A questão é que, geralmente, essa avaliação é feita de maneira equivocada ou simplesmente o fundador apenas sai e deixa que seus herdeiros “resolvam entre eles” quem vai assumir a presidência. Essa situação acaba gerando ou agravando conflitos entre irmãos que de alguma forma – explícita ou não – já disputavam o reconhecimento do pai e competiam para ver quem chegaria primeiro à presidência da empresa.

Porém, apesar de toda essa disputa pela presidência, mais que chegar ao comando da empresa, muitas vezes o que esses filhos querem – ainda que não estejam conscientes disso – é ouvir o pai lhes dizer: “Filho, eu te amo e você é importante para mim, independentemente de qualquer coisa”.

Esse tipo de reconhecimento parece simples, mas é extremamente difícil de acontecer.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ENB.

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