Inovação ou invenção? – Por Marcos Hirano

*Coluna por Marcos Hirano, 09/05/2022

Ambos se referem a criar algo. Seja inédito ou uma adaptação, ajuste, melhoria em algo pré-existente. De acordo com o Oxford Languages:

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Invenção: substantivo feminino
1. Imaginação produtiva ou criadora, capacidade criativa. Ex.: “mostra muita invenção em tudo o que faz”
2. Descoberta ou criação (decorrente de estudo ou experimento) de alguma coisa, ger. de utilidade social. Ex. “a invenção da máquina a vapor”

Inovação: origem

Sua etimologia vem do latim innovare, que significa renovar, mudar. De acordo com o Wikipedia, “refere-se a uma ideia, método ou objeto que é criado e que pouco se parece com padrões anteriores. Hoje, a palavra ‘inovação’ é mais usada no contexto de ideias e invenções assim como a exploração econômica relacionada, sendo que inovação é invenção que chega no mercado”.

Na visão do economista Joseph A. Schumpeter, a inovação se apresenta como uma destruição criadora, isto é, introdução de um novo bem, método de produção, novo mercado, descoberta de novos materiais ou um novo modelo de organização, que venha a substituir o modelo anterior, defasado e inadequado.

Para Geoff Nicholson, ex-executivo da 3M e um dos que mais incentivaram a inovação na empresa, “Inovar é transformar conhecimento em dinheiro”.

O governo britânico em um relatório de 2003, descreveu a inovação como a “exploração com sucesso, de novas ideias”.

Já para Clayton Christensen, ex-professor da Harvard Business School, autor de O Dilema da Inovação, onde apresentou o conceito de Inovação Disruptiva, trata-se de produto ou serviço que cria um novo mercado e desestabiliza os concorrentes que antes o dominavam.

No Brasil, a lei 10.973/2004 – Lei de Inovação – define inovação como “introdução de novidade ou aperfeiçoamento no ambiente produtivo ou social, que resulte em novos produtos, processos ou serviços”.

De invenção para inovação

Um bom exemplo, que ilustra a diferença de invenção para inovação vem da própria 3M. Lá no final dos anos 1960, o químico Spencer Silver trabalhava no desenvolvimento de um adesivo de alta aderência, que pudesse ser utilizado na indústria aeronáutica. Mas o resultado foi o oposto, tendo inventado um adesivo que colava em superfícies, mas apresentava baixa aderência, podendo ser considerado uma falha de projeto. A invenção só veio a ter importância quando um outro químico da empresa, Art Fry, precisava fixar pequenos papeis para marcar as canções do coral da igreja que frequentava, mas os que ele utilizava caiam do hinário. Ele resolveu então usar a cola de Spencer para fixar um marcador de páginas, sem que rasgasse o papel quando fosse retirado. Nasceu aí o Post-It, que está atualmente no top 5 dos principais produtos da fabricante estadunidense.

Isto é, a invenção apenas se tornou uma inovação a partir do momento em que foi identificada uma utilidade prática, que pudesse ser transformada em produto pelo qual as pessoas estariam dispostas a pagar.

Classificações e tipos

Dentre algumas das maneiras de organizar as inovações, uma delas é pelo grau de transformação no negócio. A inovação incremental, em que produtos, serviços, processos internos ou externos ou métodos sofrem evolução gradual por meio de processos de melhoria contínua.

Já na inovação radical, diferente da incremental, a mudança acontece a partir de uma movimentação mais complexa. Pode tanto ser para a exploração de um novo mercado com um produto já existente, ou um novo produto para um mercado já conhecido. Demanda maior esforço e investimentos, consequentemente com maiores riscos associados.

Na Inovação Disruptiva, conceito descrito por Clayton Christensen, do qual muito têm se falado ultimamente, refere-se a um processo geralmente envolvendo o uso de tecnologias digitais, transforma um produto ou serviço de tal forma que este passa a substituir as alternativas até então existentes, pois os clientes a reconhecem e percebem valor por ser mais barato, simples, ou ainda mais conveniente. Os aplicativos de entrega, transporte de passageiros, streaming de música e filmes, e-commerce, economia do compartilhamento, são alguns exemplos de inovações disruptivas.

Um modelo que eu acho bastante interessante para se compreender a inovação nos empreendimentos e como colocá-la em prática é apresentado no livro 10 tipos de inovação, de Larry Keeley. Ele organiza dez tipos de inovação divididos em 3 grupos, que ele chamou de Configuração, em que são considerados aqueles tipos de inovação que se concentram nos fatores mais internos do empreendimento e de seu modelo de negócios. Em Oferta, estão descritos os tipos de inovação relacionados ao conjunto de produtos ou serviços desse empreendimento. Por fim, em Experiência ele descreve os elementos do empreendimento e seu modelo de negócios que estão mais voltados aos seus clientes.

Desafios para a Inovação

Apesar da popularidade com que se fala atualmente sobre inovação e disrupção, sua implementação e prática não são tão simples quanto parecem. É muito comum as empresas criarem um departamento de inovação, que geralmente fica responsável por pensar inovação, de identificar oportunidades e trazer novas soluções.

Um dos grandes desafios é a cultura empresarial, que já abordei em Estratégia, cultura e cafés da manhã. É muito importante que a organização esteja alinhada com a visão de que inovação é uma prática diária, de perceber oportunidades de fazer algo melhor, de entender a sua própria importância dentro da dinâmica organizacional, assim como de seus pares e outros setores, sobretudo na perspectiva do cliente. E que errar nem sempre representa um problema, se houver oportunidade de aprender com os erros.

E quando falo sobre perspectiva do cliente, é sobre identificar quais são os problemas que realmente importam para esses clientes, para que a empresa possa oferecer soluções simples e inteligentes, que sejam cada vez mais percebidas e reconhecidas por quem paga a conta.

Gestão da Inovação

E nesse sentido, é necessário haver a prática de uma Gestão da Inovação. Trata-se de um processo, em que há um trabalho cuidadoso para estímulo a esse modelo mental inovador, de autoconhecimento, estímulo à criatividade, consideração e respeito às diferenças, de maneira que todas as pessoas envolvidas com o negócio possam se sentir à vontade para fazer contribuições para melhoria dos processos, produtos e serviços.

É preciso que as lideranças se conscientizem da importância da inovação, para que se libertem de mitos que criam bloqueios mentais, passando a atuar de maneira propositiva, eliminando barreiras e tornando-se facilitadores da mudança. É importante compreender quais são requisitos, limitações, capacidade de inovação, ao definir qual a abordagem que se deseja adotar, estabelecer processos e organização para sua realização, alocar os recursos e as competências necessárias, bem como estabelecer critérios objetivos para mensurar e acompanhar toda a transformação do negócio.

Como você se enxerga na jornada para a inovação? Comente e compartilhe suas visões, sentimentos e opiniões.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ENB.

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