Resgatar a Monsenhor Tabosa é resgatar uma parcela da autoestima de uma cidade – Por Arthur de Castro

Foto: Crédito Arthur de Castro

*Artigo de Arthur de Castro.

Nos anos 80/90, a Av. Monsenhor Tabosa era o principal corredor turístico-comercial da cidade de Fortaleza. Lojas comercializavam bolsas, sapatos, confecção e a famosa renda de bilros, tudo “made in Ceará”. Se algum comerciante desejasse abrir uma loja, teria que pagar “as luvas”, hoje, em extinção. Veio a reforma, as crises econômicas, as placas de “vende” e “aluga” e, por fim, a pandemia.

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Foto: Crédito Arthur de Castro

Os mais antigos mercados do mundo não resistiram à invasão dos chineses. Bolsas e casacos “sopa de letrinhas” são vistos nos milenares souq de Marrakech, do Cairo e de Istambul. Assim, resgatar a essência da avenida (que eu prefiro chamar de alameda) não é tarefa fácil. É preciso acompanhar as mudanças e descobrir a verdadeira vocação do trecho que é passagem obrigatória do turista que, ao final do dia, retorna da Costa do Sol Poente.

Foto: Crédito Arthur de Castro

O passo inicial deveria ser reunir todos os proprietários de imóveis disponíveis à locação, para que as chaves sejam disponibilizadas aos interessados em um balcão único localizado na própria alameda. Não me parece razoável o interessado sair em peregrinação buscando chaves espalhadas em imobiliárias distintas nos quatro cantos da cidade.

Foto: Crédito Arthur de Castro

A elaboração de um “mix” contemplando comércio e serviços vem na sequência, com os respectivos valores de aluguel, condomínio (sim, condomínio), I.P.T.U (que a prefeitura deveria estudar um incentivo), Fundo de Promoção e Propaganda (FPP) e Coeficiente de Rateio de Despesas (CRD), afinal, é preciso promover o espaço e enxergá-lo como um shopping. Ter um quiosque da Havaianas, uma loja da Água de Côco, uma franquia da Localiza, uma filial da Real Sucos, da Sorveteria Juarez, da Leão do Sul, do Raimundo dos Queijos, da tapioca do Osmar. Uma tenda vendendo caju, castanha e cajuína e uma outra vendendo sapoti, graviola e côco verde. Uma galeria com as obras do Vando, do Mino, do Mano, do Totonho, do Fernando França, do Ascal, do Tarcísio e de vários outros talentos nossos. O Memorial Chico Anísio. Uma agência do principal banco de fomento, o nosso BNB. O Café Santa Clara. Uma cachaçaria, afinal, temos o Museu da Ypióca e a recém eleita melhor cachaça do mundo, a Aviador Prata. Um balcão do Beach Park. A Catarina Mina e suas bolsas. O Tear Manual e suas redes de deitar. O teatro São José, ali pertinho, com apresentação diária dos humoristas locais, sem dúvida, os melhores do mundo.

Resgatar a nossa Alameda Monsenhor Tabosa é resgatar uma parcela da autoestima de uma cidade que ao longo dos anos tem perdido a sua memória.

*Arthur de Castro é diretor executivo da CASA4 Imóveis.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ENB.

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