A fuga da governança na empresa familiar – Por Aletéia Lopes

*Coluna por Aletéia Lopes, 04/04/2022

Se tem uma raiz de muitos problemas que fazem parte da realidade das famílias empresárias, pode-se dizer que é a fuga da estruturação da Governança. Pois, implantar um processo de Governança na empresa familiar pressupõe a construção de regras e limites, além da possibilidade de resolução de situações ignoradas pelos membros familiares por anos que podem emergir durante o processo, portanto muitos preferem fugir do confronto.

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Muitas vezes, os próprios fundadores são os primeiros a fugir da resolução de problemas que estão intrínsecos na relação família e empresa, apesar de jurarem que desejam a implantação da Governança como forma de profissionalizar as relações familiares. A questão é que, mesmo afirmando que querem solucionar os problemas de sua família no negócio, acabam fugindo do processo que tal solução exige: discussões na busca do consenso, tocar em questões dolorosas e remexer em dores antigas. Resultado: Fuga.

Independentemente de quem esteja envolvido nessa questão a ser resolvida – irmãos, filhos, esposa – tratar disso, pode envolver fatos dolorosos, de forma intensa ou não, mas em muitos casos isso é inevitável.

Herdeiros que já atuam como executivos também costumam fugir da implantação da governança na empresa familiar, porém por motivações um pouco diferentes das dos fundadores. Pode-se dizer que parte deles fogem por prepotência. Muitos pensam “Eu já sei que sou o sucessor, sei tudo que preciso fazer. Eu não preciso da ajuda de ninguém para me dizer o que fazer”.

No entanto, a maioria dos herdeiros que já se consideram sucessor não entendem que, no fundo precisam da Governança para ajudá-los a ter um espaço de diálogo com os outros futuros acionistas, afinal a maioria não é herdeiro único e precisa dar transparência ao processo de gestão dos negócios para seus sócios e/ou futuros sócios.

Os prepotentes geralmente rejeitam qualquer tipo de trabalho voltado para a estruturação da Governança porque se sentem ameaçados. Temem serem expostos de que não são os melhores na sua área de atuação, como imaginam ou como tentam convencer a todos. Resultado: Fuga.

A verdade é que existem muitos problemas nas empresas familiares que poderiam ser tratados através da implantação da Governança com a estruturação dos fóruns de controle, a definição de regras e o acompanhamento de forma transparente das tomadas de decisões estratégicas. Mas a omissão dessa necessidade e a fuga de possíveis ajustes leva o problema a se agravar com o tempo e o que poderia ser tratado no presente pela Governança, no futuro será tratado pelo doloroso e oneroso processo de litígio judicial.

*Aletéia Lopes é escritora e diretora da HerdArs com experiência em projetos de governança para Famílias Empresárias e formação de Herdeiros/Sucessores. Mentora estratégica de executivos familiares e mediadora de conflitos. Graduada em Serviço Social, com formação em Mentoring, Coaching, Constelação Sistêmica e Terapia Familiar. Membro do Instituto Brasileiro de Governança corporativa – IBGC/CE. Diretora de Governança da Câmara de Comércio e Indústria Brasil e Alemanha no Ceará – CCIBAC.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ENB.

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