2 anos de pandemia: o que mudou no Brasil e no mundo? – Por Marcos Hirano

*Coluna por Marcos Hirano, 21/03/2022

E lá se vão 2 anos desde que as primeiras restrições foram impostas no Brasil em decorrência da pandemia do novo corona vírus, SARS-CoV-2 e a COVID-19. O mundo acabou de ultrapassar a marca de 6 milhões de vítimas, sendo mais de 655 mil apenas no Brasil, o segundo país com mais vítimas, atrás apenas dos Estados Unidos (Fonte: Worldometers).

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Pandemia e a saúde mental

Temos vivido tempos estranhos, com a escalada de movimentos xenofóbicos, conflitos étnicos com crises de refugiados, provocando um nível de ansiedade e tensões que há décadas a humanidade não vivenciava.

Um dos impactos percebidos, dentre tantos outros problemas, tem sido na saúde mental. Uma pesquisa realizada pela U.S. Census Bureau, equivalente ao IBGE no Brasil e o Centro Nacional de Estatística em Saúde dos Estados Unidos aponta que uma parcela importante dos entrevistados declarou sinais de ansiedade ou depressão. O número quase quadruplicou em comparação com os resultados obtidos antes da pandemia, com problemas de saúde mental particularmente difundidos no final de 2020.

Mundo hiperconectado, mudança nas relações e agravamento de extremos

Os últimos dois anos trouxeram uma experiência inédita para praticamente todos os habitantes do planeta. É a primeira pandemia do mundo hiperconectado, tanto fisicamente, com a facilidade de deslocamentos, quanto na velocidade e alcance das comunicações. E a maneira como tudo isso tem impactado as pessoas tem infinitas perspectivas possíveis, a partir dos olhares e percepções individuais. Ter a chance de ouvir diferentes opiniões é uma excelente oportunidade de percebermos essa diversidade e exercitarmos nossa capacidade de empatia.

Daiany França, gestora especialista em impacto social, fez um recorte sobre como o impacto se deu nas relações de trabalho, sendo que houve uma aceleração compulsória para a adoção de novas formas de condução de projetos, comunicação e gestão de equipes, com todos sendo impulsionados a uma rápida adaptação para o mundo digital, do trabalho remoto.

Para Krishna Mahon, colunista de sexo na Folha F5 e apresentadora do SexPrivê na Band TV, a pandemia provocou um “olhar pra dentro”, como um freio no ritmo alucinante da vida, para sair da roda dos ratos. Relacionamentos terminaram, surgiram questionamentos quanto ao tempo que se dedica ao trabalho. Ela completa dizendo que “a vida é um sopro, muito curta. Viver é muito importante”.

A especialista e consultora em Economia Criativa e sócia da Tempo de Hermes, Cláudia Leitão, compartilha que a pandemia acentuou as mazelas brasileiras como território das desigualdades, vulnerabilidade e precariedade, das injustiças sociais. Isso fez com que a necessidade de um Estado que intervenha para enfrentar esses desequilíbrios ficasse ainda mais evidente. O SUS teve maior visibilidade, em todo o seu alcance como sistema de gestão pública de saúde, que inclui o sistema vacinal, órgãos de vigilância sanitária, pesquisa e desenvolvimento de medicamentos, esses últimos menos percebidos ou até desconhecidos de grande parte dos cidadãos. E a visão de acolhimento, atenção pública e gratuita precisa se estender a outras dimensões dos serviços públicos.

O que vem pela frente?

Em relação ao que vem pela frente, a preocupação de Krishna é com a escolha consciente de muita gente pelo caminho de ignorar a ciência, ao não se vacinar, por exemplo. Mas ela ainda espera que após essa onda de neo-obscurantismo surja o neo-iluminismo, apesar de reconhecer que essa reversão terá eco limitado a uma pequena parcela da população.

Já para Daiany, toda a transformação nas relações do trabalho causou um excesso de telas, com um sentimento de saturação do modelo remoto. Então, a sua expectativa é que a partir dos aprendizados obtidos com essa migração abrupta e extrema, seja possível encontrar um ponto de equilíbrio, trazendo um modelo híbrido, que possa trazer o melhor de cada formato.

A expectativa de Cláudia Leitão é de que políticas públicas serem postas em prática com maior efetividade para alívio do contexto cruel dessas desigualdades, principalmente aos mais vulneráveis, lembrando que a pandemia ainda não acabou – são mais de 500 vidas ainda têm sido perdidas diariamente no Brasil. Seu desejo gira em torno de uma maior atuação e consciência coletiva, da valorização do ethos comunitário, com o crescimento e fortalecimento das tecnologias sociais, laboratórios cidadãos, novas governanças que sejam mais compatíveis com os desafios do século 21, em detrimento do fracasso do sistema capitalista global, que produziu mais precarização do trabalho, êxodo nos fluxos migratórios e refugiados. “Nós precisamos encontrar soluções de novas humanidades, nova solidariedade, de novas atividades, de novos acolhimentos.”, declara Cláudia.

A filósofa e consultora em criatividade, inovação e transformação digital Anna Flávia Ribeiro compartilha sua visão:

“O mundo mudou enquanto a vida permanece a mesma. Percebemos que o pobre ser humano descobriu que manda menos em si e na Terra do que achava que mandava. O meio ambiente gritou e nos mandou um recado poderoso – parem de me destruir senão eu é que acabo com vocês – e o nosso lado interior gritou – me cuida senão acabo com você. Espremido entre uma psique adoecida e um meio ambiente em falência, com a matriz energética e alimentar a perigo, o homem está descobrindo o Eadem sed aliter – ou seja teremos que fazer o mesmo de uma maneira diferente. Menos consumo, menos frenesi, mais contemplação, baixar a velocidade, reduzir o algoritmo. Nessa dialética hegeliana eterna, entramos na era da antítese. Bem-vindos.” Anna Flávia Ribeiro

Caminhos da inovação

Todas as perdas humanas e dor causadas pela pandemia precisam ser valorizadas, a partir dos aprendizados que podem ser obtidos. Apesar das reações imediatas durante a pandemia terem priorizado a continuidade dos negócios, com ganho de eficiência, saúde organizacional, foco no negócio “core business”, um fato ficou muito marcado, nessa virada forçada para o século 21, de que priorizar a inovação é crucial para o crescimento e recuperação pós-pandemia.

A colaboração e inteligência coletiva e seu poder de alcançar resultados incríveis; novos comportamentos dos consumidores, que se arriscaram a encarar o e-commerce e adotaram o modelo em definitivo; a conscientização das organizações e gestores, ainda que de maneira imperativa, na dor, de que a transformação digital está aí e quem não se adaptar vai sofrer muito mais; a necessidade de respeito à natureza e de que o ser humano é apenas mais uma dentre as inúmeras espécies que habitam o planeta.

E para você, quais foram os impactos da pandemia? Quais são seus desejos e expectativas?

Agradecimentos

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ENB.

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