O ciclo vicioso da Empresa Familiar – Por Aletéia Lopes

*Coluna por Aletéia Lopes, 07/03/2022

Durante todos esses anos trabalhando na implantação da Governança Familiar, percebo que muitas empresas familiares possuem um ciclo vicioso extremamente difícil de romper. Entra consultoria, sai consultoria e a sensação é que nada mudou e que nada é capaz de modificar o ciclo vicioso da cultura familiar.

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Os executivos familiares, em sua maioria até querem realizar modificações no sistema empresarial, no entanto, na hora que realmente precisam de mudanças nos processos e nas estruturas organizacionais que comprometem a “lei familiar” isso se torna um tabu.

Por exemplo: no leito da morte, o pai fundador, reúne os filhos e solicita “a única coisa que peço a todos vocês é que permaneçam juntos”. Essa frase torna-se uma lei e a partir de então, não importa o sofrimento que possa gerar, porque ela torna-se inquebrável.

Então, algumas decisões importantes para o bom funcionamento dos negócios começam a ser impedidas pela “lei familiar”. Assim, irmãos que não querem mais ser sócios, não podem sair da sociedade; membros familiares que não possuem competência para o cargo que exercem, não podem deixar o cargo porque isso significa “abandonar a família”.

Portanto, as relações vão se tornando adoecidas e nenhuma assessoria ou metodologia é capaz de realizar ajustes organizacionais ou societários porque ninguém da família empresária terá a coragem de romper com a “lei familiar”. A história familiar adquire muito mais força dentro do ambiente organizacional do que podemos imaginar.

O primeiro passo que precisa ser dado é desvendar que tipo de “lei familiar” existe e como essa lei interfere no ambiente empresarial. Porque, infelizmente dentro da empresa familiar “o óbvio não existe” e o que parece muito claro e simples para quem está de fora, pode ser extremamente sombrio e nebuloso para quem faz parte desse sistema familiar. Quebrar um pacto, mesmo que seja um pacto inconsciente é extremamente complexo e delicado. Por isso, trazer o pacto ao nível da consciência nem que seja de uma forma reflexiva pode ser o único caminho.

Mas, não adianta refletir sobre a “lei familiar” se ninguém se sente apto a rompê-la. Principalmente se a família tem um perfil comportamental mais voltado para a aceitação passiva.

É importante compreender que o ciclo vicioso pode ser a única forma encontrada por essa família empresária para sobreviver dentro do negócio. Assim, sair desse ciclo pode significar a morte da “lei familiar” que está diretamente ligada à traição da memória do pai fundador.

Então, existem alguns momentos que esse pacto da “lei familiar” se torna tão insustentável que a família empresária entra em crise e assim ela tem a necessidade de buscar ajuda para tentar reorganizar-se e reposicionar-se em busca de mudança. Uma mudança que possa libertar a família empresária de um sofrimento paralisador que pode trazer graves consequências para as relações familiares e para o bom andamento dos negócios. E assim, mesmo que o ciclo vicioso não consiga ser rompido, é possível que a família empresária possa ter momentos de aprendizado, refazendo projetos e continuando sua caminhada, mesmo sabendo que estará sempre acompanhada pela sombra da “lei familiar”.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ENB.

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