Moda & Arte: um retrato da sociedade contemporânea – Por Mônica Albuquerque

*Coluna por Mônica Albuquerque, 05/03/2022

Compreendendo a moda e seu papel social

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A moda sempre teve uma papel social e, compreendê-la, nos ajuda: a ler o mundo a nossa volta, a compreender os grupos e indivíduos na sociedade, a entender as relações da moda com determinadas culturas e a sua relação também com a arte.

Inicialmente seu papel era indicar status social, mas, depois passou a ser um fator de construção da identidade do indivíduo na sociedade contemporânea. Ao estudar a moda propriamente dita, desde o seu surgimento, por volta da metade do século XIV, como ressalta Gilles Lipovetsky em seu livro “O Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades”, percebemos o quanto ela se transforma com muita rapidez.

“A moda muda incessantemente, mas nem tudo nela muda. As modificações rápidas dizem respeito sobretudo aos ornamentos e aos acessórios, às sutilezas dos enfeites e das amplitudes, enquanto a estrutura do vestuário e as formas gerais são muito mais estáveis.” (LIPOVETSKY, P. 33).

Pensando nisso, como Designer de Moda, já que a moda muda constantemente, precisamos buscar variadas fontes de inspirações para desenvolver novos produtos, coleções, acessórios, etc. E, observando as criações de vários estilistas ao longo dos anos, percebemos que a arte serviu como fonte de inspiração para muitos deles.

A relação da Moda & Arte

É inquestionável a relação da moda com a arte. Podemos entendê-la como um reflexo da sociedade contemporânea que envolve, não apenas os múltiplos movimentos sociais, mas também, questões políticas, econômicas, além de movimentos artísticos e culturais, seja através das múltiplas relações ou de colaborações com vários artistas.

A moda possui papel muito importante na arte figurativa, e alguns críticos a reconhecem como uma forma de arte. No livro “Moda, Arte e História: um encontro na obra da estilista Rei Kawakubo”, a autora mostra que há uma aproximação gradativa entre a moda e a arte. E como bem ressaltou a eterna Coco Chanel:

“Moda não é algo que existe apenas em roupas. Moda está no céu, nas ruas, tem a ver com ideias, com o modo como vivemos e com o que está acontecendo.” Gabrielle “Coco” Chanel (1883–1971).

Algumas obras de moda funcionam como obras de arte ou por vezes, se inspiram na própria arte. Podemos citar a estilista Rei Kawakubo, à frente da marca Comme des Garçons, fundada em 1973. A coleção de outono/inverno 1965, com o vestido icônico ‘Mondrian’ do estilista Yves Saint Lautent inspirado na obra abstrata do artista Piet Mondrian. A coleção dos estilistas holandeses Viktor & Rolf, que tiveram a ideia de unir o tema moda e arte no desfile de outono/inverno 2015, dentre outros.

Produção de Moda & Arte

Na minha visão como Designer de Moda e pesquisadora, vejo a moda e arte se conectarem de várias formas. No ano passado tive o prazer de assinar o styling e produção de moda da marca cearense Pitaya Moda, à convite da idealizadora da marca, a Tayane Almeida. A Coleção tinha como tema “Aquarela”. E, para trazer uma harmonia com a nova coleção, busquei como cenário (locação), a Galeria de Arte Danielle Araújo, localizada na Rua Vicente Leite, 1026 – Meireles em Fortaleza.

Imagens da Produção de Moda assinada por Mônica Albuquerque para a marca Pitaya Moda realizada em 2021 na Galeria de Arte Danielle Araújo.

Quando recebi o convite para fazer a produção, lembrei imediatamente da Galeria da Empresária Danielle Araújo, porque levei em 2020, minha turma de Pós-graduação em Gestão de Imagem e Styling de Moda, numa visita de campo, para conhecer as obras de arte e quadros ali expostos, e que pudessem servir de inspiração para o desenvolvimento do trabalho de conclusão da disciplina, cujo tema era Moda & Arte.

A Empresária à frente da Galeria de Arte Danielle Araújo

A Empresária e Artista Plástica Danielle Araújo, é formada em Administração de Empresas e desde pequena conviveu com sua mãe, que trabalhava com tapetes persas, além de colecionadora de obras de arte. Ainda muito nova, a Danielle viajava com ela pra comprar quadros, móveis antigos, visitar museus e pra participar de leilões. Cresceu nesse meio e acabou desenvolvendo seu gosto e aptidão pelas artes.

Começou a pintar quadros aos 18 anos, além disso, passou a fazer tapeçaria e esculturas. Aos 20 anos fez sua primeira exposição em Portugal, participou de vários coletivas de artes, já teve seus quadros vendidos tanto no Brasil como no exterior: França, Itália, Suíça, Genebra, etc.

Como Artista Plástica, Danielle já recebeu vários prêmios. Atualmente, a Galeria comercializa não apenas seus quadros, mas também de outros artistas. Trabalha com vários arquitetos e seus quadros estão em vários hotéis da capital cearense. Vale muito à pena a visita pra conferir todas as obras e quadros.

Grande abraço e até a próxima semana!

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ENB.

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