Qualidade de vida é mais importante do que o salário para 2/3 dos empregados, revela pesquisa

Depois do início da pandemia, funcionários valorizam mais o chamado "salário emocional", vinculado à flexibilidade de horários e ao trabalho remoto.(Foto: Andrea Piacquadio/Pexels)

Após a experiência de home office trazida com mais força por causa do início da pandemia de Covid-19, há algumas condições de trabalho que adquiriram valor extra e certa prioridade entre os profissionais. Entre elas, destaca-se a qualidade de vida.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa ADP indica que houve aumento acentuado na proporção de trabalhadores nessa situação. Pois afirmam conseguir aproveitar as vantagens do trabalho flexível em suas empresas – atualmente, mais de dois terços (67%) se acham nessa posição, em relação a 26% antes da pandemia.

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“Uma das perguntas que muitos trabalhadores e empresas estão se fazendo é quais mudanças que foram subitamente forçados a adotar pela pandemia chegaram para ficar e quais se mostrarão ter sido apenas medidas temporárias, mas serão revertidas quando a vida voltar ao ‘normal’”, analisa Mariane Guerra, vice-presidente de Recursos Humanos para a América Latina da ADP, empresa líder mundial em soluções de gestão de folha de pagamento.

“Até o momento, uma área central do debate é da proporção do trabalho de home office que permanecerá sendo norma para muitos, seja em alguns ou todos os dias da semana”, completa.

Algumas das estratégias que as organizações estão adotando para fortalecer o bem-estar de seus funcionários é trabalhar com horários flexíveis, almoços subsidiados, flexibilidade para trabalho remoto e maior disponibilidade de tempo para dedicar mais tempo a lazer, esportes e família, atividades lúdicas, reuniões periódicas para conhecer o estado emocional de cada colaborador, brindes-surpresa relacionados ao bem-estar e auxílio nos aspectos de saúde, como atendimento médico, psicológico e nutricional.

O levantamento da ADP conclui, ainda, que “o trabalhador de hoje busca ter novas oportunidades e horários mais flexíveis, tendo como preferência o ambiente de trabalho dentro de uma empresa. É assim que 55% dos trabalhadores reconhecem a sua decisão de permanecer nela ou migrar para uma nova organização”.

De acordo com a executiva, os trabalhadores estão a cada dia mais colocando o bem-estar físico e psicológico antes da compensação financeira. Ou seja, priorizando os benefícios emocionais e de bem-estar em detrimento do salário, algo que vem sendo considerado um “salário emocional”.

A pesquisa revela, ainda, uma mudança nas prioridades dos funcionários após a pandemia do coronavírus: “Os dados mostram que os trabalhadores estão mais atentos às suas necessidades, têm prioridades mais claras, são mais decisivos nas escolhas e incentivados a ir em frente”, explica.

A executiva complementa: “Depois desses quase dois anos de pandemia, os trabalhadores tendem a preferir melhor qualidade de vida e ambiente de trabalho. Portanto, há um grande percentual de profissionais que estão na busca por tornar-se independentes, seja montando um projeto semelhante àquele a que se dedicam ou simplesmente partindo do zero em algo por que são apaixonados, mas não é a área em que trabalhavam antes”, diz.

Produtividade

Quando a pauta é produtividade, a pesquisa revela alguns insights interessantes. Ao contrário do que se poderia esperar, dada a agitação ocorrida no ambiente doméstico e a necessidade de adaptação, as pessoas trabalhando remotamente ou em casa são tão propensas a indicar que manter a produtividade é um desafio quanto seus colegas no escritório (10% ante 13%).

Na opinião de Mariane, no Brasil há uma “revolução silenciosa no mundo do trabalho” que “está obrigando as organizações a adaptar suas propostas de valor ao empregado, a trabalhar de forma personalizada nos planos de benefícios e, principalmente, na flexibilidade dos arranjos para reter talentos”.

A pesquisa também mostra que a aspiração em conciliar o cumprimento de tarefas sem descuidar da vida pessoal ainda é uma utopia. As pessoas que trabalham em casa estimam fazer mais horas extras não remuneradas do que aquelas no local de trabalho (9,4 horas ante 8,7). Porém, indivíduos que adotaram um modelo híbrido de trabalho acreditam estar fazendo ainda mais do que todas: 9,8 horas.

Por fim, outro ponto destacado pelo levantamento diz respeito à flexibilidade do horário de trabalho: 76% dos trabalhadores ao redor do mundo comparecem ao local de trabalho somente em parte do tempo. Ou seja, três em quatro profissionais já adotam o teletrabalho como regra em seu dia a dia.

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