Os Perfis Dos Fundadores: Rei, Imperador e Presidente – Por Aletéia Lopes

*Coluna Aletéia Lopes, 17/01/2022 –

Alguém já parou para pensar que Fundador é o único cargo de uma empresa familiar que não possui um desenho de função definido? No entanto, através da aplicação do assessment DISC de Análise de Perfil Comportamental, desenvolvido pelo psicólogo e professor de Harvard William M. Marston, presente em mais de 60 países e utilizado por milhões de pessoas e empresas, foi possível perceber que os fundadores que responderam esse teste durante a realização do Programa de Governança Familiar, em sua grande parte tiveram como resultado uma alta dominância, cuja principais características são: iniciativa própria, competitividade, objetividade, orientação para resultado e elevada auto-estima. Características que são complementadas com uma visão empreendedora.

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No entanto, mesmo com uma grande semelhança na análise de perfil comportamental, é possível entender que no momento mais desafiador da vida de um Fundador que é o processo de sucessão na empresa familiar, temos uma variação desse perfil. Para um melhor entendimento desses diversos perfis de Fundadores durante o processo de sucessão, usaremos a analogia com as formas de Governo: Monarquia (Rei), Império (Imperador) e República (Presidente).

O fundador monarca, geralmente é aquele que acredita que é preciso que o sucessor seja alguém da família e de preferência, o filho mais velho e homem para ocupar a cadeira do rei. Ele não considera que seja possível contratar alguém de fora caso nenhum de seus herdeiros de sangue queiram ou estejam preparados para tal posição. Além disso, esse fundador monarca tem dificuldade de falar no assunto sucessão, pois associa esse tema com a morte, porque para ele o príncipe em linha de sucessão só assume o trono quando o Rei morre. Portanto, para esse perfil de fundador um processo de Governança Familiar e planejamento sucessório é desnecessário e usam geralmente o seguinte argumento: “Quando eu morrer, eles resolvem”, deixando os herdeiros totalmente perdidos e tendo que enfrentar um inventário caro e desgastante.

O fundador imperador, talvez seja um dos piores perfis para se conviver, pois geralmente a sua característica mais marcante é a competitividade, que de forma acentuada costumam competir com seus próprios herdeiros, causando um grande adoecimento para todo o sistema familiar. Na prática, esse tipo de fundador fala que irá realizar a sucessão entre seus filhos, mas infelizmente é só “da boca para fora”. Quando está para anunciar sua saída da presidência, em vez de acompanhar de perto o preparo do seu sucessor e oficialmente passar o bastão para essa pessoa, o que ele faz é simplesmente jogar esse bastão para o alto e fica assistindo enquanto seus filhos se digladiam entre si pela cadeira da presidência como cães raivosos brigando por um osso. E inconscientemente ele até se diverte com a situação, pois toma o bastão de volta e anuncia que infelizmente devido a incompetência dos filhos, ele deverá continuar no poder por muito tempo. Na verdade, ele nunca quis fazer a sucessão, ele só queria uma oportunidade de se autoafirmar e se manter no poder até a morte. Portanto, para esse perfil de fundador o processo de Governança Familiar só será possível se tiver o único objetivo de validar suas próprias normativas, como isso não é possível, eles geralmente desistem antes do término.

O fundador republicano, é o perfil ideal para o êxito de um bom processo de sucessão na empresa familiar, pois sua característica mais marcante é a orientação para o resultado com uma visão de longo prazo. Geralmente ele é uma pessoa simples, de fácil diálogo e tem um grande apreço pela relação familiar harmoniosa. Portanto, assim que atinge a meia-idade já começa a pensar no processo de sucessão e a buscar ajuda no mercado para preparação das novas gerações. Ele entende que o processo de sucessão é de longo prazo e precisa trabalhar regras de convivência da família com o negócio. O fundador republicano se prepara para deixar a presidência operacional e ir para a presidência do conselho. Nesse momento, ele torna-se um grande conselheiro e orientador de quem assume a gestão dos negócios. Portanto, para esse perfil de fundador o programa de Governança Familiar é fundamental para dar segurança e tranquilidade a todo esse processo.

Após essa análise, o importante não é apenas identificar semelhanças com um desses perfis de fundadores, mas é principalmente entender que nunca é tarde para buscar a melhor solução para um bom processo de sucessão familiar em prol da longevidade da empresa e harmonia das relações familiares.

*Aletéia Lopes é escritora e diretora da HerdArs com experiência em projetos de governança para Famílias Empresárias e formação de Herdeiros/Sucessores. Mentora estratégica de executivos familiares e mediadora de conflitos. Graduada em Serviço Social, com formação em Mentoring, Coaching, Constelação Sistêmica e Terapia Familiar. Membro do Instituto Brasileiro de Governança corporativa – IBGC/Ce. Diretora de Governança da Câmara de Comércio e Indústria Brasil e Alemanha no Ceará – CCIBAC.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ENB.

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