Mentoria para Famílias Empresárias: A condução de acordos familiares com maestria – Por Aletéia Lopes

*Coluna Aletéia Lopes, 10/01/2022.

Nos últimos tempos, vivemos momentos de fortes crises, como a pandemia (2020/2021), que apesar de serem relacionadas à área de saúde, afetaram gravemente toda a economia mundial. Esse cenário mostrou o quão importante é estar preparado para tempos adversos e por esse motivo, a questão que levanto é: as famílias empresárias estão prontas para lidar com períodos de contingência?

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A pandemia (2020/2021) gerou muitos transtornos à economia mundial e muita dor em razão das perdas que centenas de milhares de famílias sofreram. Porém, como tantas outras crises, também gerou grandes oportunidades de aprendizado e nos mostrou que a morte é um fato inevitável do nosso destino. Mais cedo ou mais tarde, ela ocorre.

Tal lição pegou em cheio famílias empresárias cujos fundadores acreditavam – ainda que inconscientemente – serem “imortais” ou sempre enxergaram a morte como um momento muito distante. Por isso, sempre que se falava em planos de contingência em razão de uma possível sucessão, boa parte deles reagia com uma postura de adiar esse planejamento.

– Não vou cuidar disso agora, porque ainda sou muito jovem e vai demorar muito para que ocorra essa transição.

Porém a chegada da pandemia veio mostrar que a morte é algo real não somente com idosos, mas também com a população jovem, com ou sem comorbidades. Essa nova realidade gerou um efeito, acendendo a luz de alerta, para que as famílias empresárias se organizassem, porque se acontecesse alguma contingência desse tipo, já estariam preparadas para enfrentar essa adversidade.

Sendo assim, quando se reconhece a necessidade de iniciar essa preparação, percebe-se também que é preciso o acompanhamento profissional de uma mentoria que indique o passo a passo desse planejamento: por onde começar, como se organizar, que tipo de acordos devem ser feitos, quais são os instrumentos necessários para garantir a longevidade da empresa, entre outras questões.

Apesar do termo “mentoria” já ser bem antigo, por muito tempo não foi visto e aceito como uma metodologia, como uma forma de assessoria. Para esses serviços, se usava muito a palavra “consultoria”, que tem uma proposta mais interventiva. No entanto, no caso das famílias empresárias, como a consultoria se propõe geralmente a apresentar um método já pronto, as famílias precisavam se encaixar na metodologia pré-existente para que o processo ocorresse de forma satisfatória.

A mentoria chegou a este cenário com uma proposta diferente, que não despreza o trabalho da consultoria, mas entende que cada família tem uma necessidade diferenciada e por isso possibilita um trabalho mais personalizado.

Essa customização de modelos processuais se mostra necessária às famílias empresárias, porque enquanto o melhor caminho para uma pode ser baseado em uma estratégia específica, para outra, pode ser um caminho totalmente diferente. Por isso é preciso ter um mentor que saiba considerar a realidade da família que o contrata e ajudá-la a encontrar as soluções para caminhar rumo a esse planejamento, com um plano de governança totalmente adaptado.

As famílias empresárias começaram a ver a importância dessa organização, porque entenderam que uma das grandes causas da mortalidade das empresas familiares não estava associada aos problemas de gestão em si, mas sim às desavenças familiares e à falta de planejamento sucessório.

Essa compreensão começou a despertar nessas famílias o interesse em buscar mentores especializados, que pudessem ajudar essas famílias a construir o melhor caminho para elas, deixando o negócio e as relações familiares já bem definidas para o caso de precisar enfrentar situações críticas, como por exemplo o falecimento do fundador. Quando tudo já está bem organizado, há mais tranquilidade para elaborar o luto e, posteriormente, dar continuidade ao negócio, mesmo sem o fundador na cadeira da presidência.

Sabendo disso, o mentor escuta as dores dos seus clientes e avalia quais opções de caminhos podem ser consideradas. Esse profissional traz um repertório de experiências que podem ajudar essas famílias a pensar em possíveis soluções para a resolução de problemas, para a cura de suas dores ou para a elaboração de um bom plano de contingência.

*Aletéia Lopes é escritora e diretora da HerdArs com experiência em projetos de governança para Famílias Empresárias e formação de Herdeiros/Sucessores. Mentora estratégica de executivos familiares e mediadora de conflitos. Graduada em Serviço Social, com formação em Mentoring, Coaching, Constelação Sistêmica e Terapia Familiar. Membro do Instituto Brasileiro de Governança corporativa – IBGC/Ce. Diretora de Governança da Câmara de Comércio e Indústria Brasil e Alemanha no Ceará – CCIBAC.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ENB.

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