Herança: A disputa que começa antes de Cristo – Por Aletéia Lopes

*Coluna Aletéia Lopes, 28/11/21

Entender as disputas que surgem em torno da herança familiar é algo muito complexo e que sempre fez parte da sociedade mesmo antes de Cristo. São situações delicadas que quando mal conduzidas ou negligenciadas podem se tornar verdadeiras guerras que se arrastam por toda a eternidade.

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Como é o caso da guerra iniciada entre os filhos de Abraão (patriarca dos judeus e muçulmanos). Ismael, filho bastardo de Abraão com a escrava Agar e Isaque filho de Abraão com sua esposa Sara. Uma disputa por herança que se instalou no tempo antigo, citado no livro de Gênesis.

Os judeus dizem que a terra é do seu povo e os muçulmanos falam que a terra é do povo deles. E essa disputa pela terra Palestina continua até os dias atuais. Quando se resolverá essa questão? Talvez nunca.

Essa história bíblica lembra alguma história que vocês conhecem na atualidade? Com certeza, sim!

Dentro do cenário das empresas familiares essas disputas por herança infelizmente ainda são muito comuns e muitas vezes caminham para inventários caros, cansativos e intermináveis que se arrastam por gerações causando prejuízo para os negócios e rompimento de laços familiares.

Geralmente o que dificulta o tratamento preventivo de um bom processo de Governança com planejamento sucessório e patrimonial é a visão equivocada e/ou egoísta de alguns fundadores de acharem que após o seu falecimento tudo será resolvido com tranquilidade entre os herdeiros. Eu mesma, já ouvi frases de vários fundadores: “eles resolvem a partilha da herança depois que eu morrer” ou “Não estarei mais aqui mesmo, então eles que se resolvam quando eu partir”

No entanto, na realidade o que podemos observar é que essa é a pior opção mesmo a família sendo unida e aparentemente harmoniosa. Pois após a partida do fundador, temos muitos fatores que influenciam diretamente na dificuldade de se chegar a um acordo, são eles:

1. Sem um Protocolo Familiar com regras pré-estabelecidas é difícil entender inclusive por onde começar o processo de sucessão do negócio e do patrimônio;

2. A segunda geração que deve assumir repentinamente a condução do negócio, precisa aprender a trabalhar com decisões mais democráticas e usando o consenso;

3. Nem todos os herdeiros possuem o mesmo conhecimento do negócio e do patrimônio o que dificulta o diálogo entre eles; e

4. Existe a atuação dos agregados que podem contaminar o equilíbrio familiar.

Estes, e outros pontos são geralmente os motivadores para o não fechamento de um acordo pacífico. E o que resta é partir para a briga, onde cada um usa as armas que possuem, brigando pelo que tem certeza que é seu.

Assim, da aliança que Deus fez com Abraão, ele teve dois filhos Ismael (filho da escrava Agar) e Isaque (filho de sua esposa Sara) e a partir de então, ambos se consideravam seus herdeiros legítimos, onde Ismael seria um grande guerreiro e que sempre estaria em disputa com seu irmão Isaque.

Uma disputa que se arrasta por gerações causando muita dor e sofrimento aos seus descendentes.

*Aletéia é escritora e diretora da HerdArs com experiência em projetos de governança para Famílias Empresárias e formação de Herdeiros/Sucessores. Mentora estratégica de executivos familiares e mediadora de conflitos. Graduada em Serviço Social, com formação em Mentoring, Coaching, Constelação Sistêmica e Terapia Familiar. Membro do Instituto Brasileiro de Governança corporativa – IBGC/Ce. Diretora de Governança da Câmara de Comércio e Indústria Brasil e Alemanha no Ceará – CCIBAC.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ENB.

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