A falta de atenção dos gestores públicos para inovação – Por Lahyre Rosado Neto

*Coluna quinzenal – Por Lahyre Rosado Neto – 10/04/21

O Brasil é rico em muitas coisas, inclusive na pluralidade de suas vocações econômicas. Soja, couro, pedras preciosas ou sal marinho, cada região tem uma realidade diferente. Uma necessidade comum a todas elas é no tocante às políticas públicas voltadas para inovação e tecnologia.

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Importante salientar que inovação não é necessariamente uma megaestrutura ou um supercomputador com programas desenvolvidos por cientistas. Muitas vezes uma ideia simples, que poderia impulsionar a produção de um determinado setor, não sai do papel por falta de incentivo ou mesmo de conhecimento.

Como aluno do curso de mestrado na UFERSA no Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação, na disciplina de Políticas Públicas de Ciência, Tecnologia e Inovação e o Estado Brasileiro, fizemos um levantamento para identificar cidades e Estados brasileiros com secretarias específicas de “tecnologia e inovação”.

No caso de secretarias estaduais, constatamos que 10 Estados não possuem secretarias de tecnologia e inovação. Como o estudo teve como objetivo identificar pastas específicas e não órgãos ou subsecretarias, não significa dizer que nestes 10 estados não haja qualquer trabalho neste sentido, mas percebe-se, pelo menos, que o assunto não recebeu tanta prioridade em Estados importantes, como Minas Gerais ou Paraná. Isso não significa dizer, entretanto, que nestes Estados não haja inovação.

Para o levantamento que analisou as cidades, foi feito um recorte para analisarmos apenas as cidades com mais de 200.000 habitantes, o que resultou no número de 155 cidades no País, sendo assim distribuídas geograficamente: 74 no Sudeste; 30 no Nordeste; 27 no Sul; 12 no Centro-Oeste; e 12 no Norte. Percebe-se que praticamente metade destas cidades com mais de 200.000 habitantes está no Sudeste brasileiro.

Analisando quais no recorte tem secretarias específicas, as cidades nas regiões Sudeste (46%), Nordeste (18%) e Sul (18%) mantém mais ou menos a proporcionalidade da representatividade nos dois recortes: cidades com mais de 200.000 habitantes e de cidades com secretarias específicas. Já o Centro-Oeste salta de 8% no primeiro recorte para 15% quando analisamos cidades com secretarias de “tecnologia e inovação”. As cidades no Norte despencam de 8% para 3%.

Esses números por si só não comprovam se há ou não investimentos em tecnologia e informação. Mesmo porque muitas cidades têm secretarias de Desenvolvimento Econômico sem que isso signifique que a pasta tenha relevância orçamentária ou de ações das gestões. Há estudos, entretanto, fazendo uma correlação macro entre existência das pastas e ações específicas concretas voltadas para inovação e tecnologia.

As empresas são no final das contas as grandes responsáveis por processos de inovação, mas se houver um planejamento e parceria entre o público e o privado, regiões inteiras podem se beneficiar. O Estado precisa parar de atrapalhar e começar a auxiliar no fomento e planejamento estratégico. Economia e conhecimento precisam andar juntos.

A pandemia do coronavírus trouxe, além da tragédia das mortes, a mudança comportamental e também no mundo dos negócios. O trabalho remoto, telemedicina, distanciamento social, educação à distância e tantas outras mudanças. A inovação, ciência e tecnologia são necessariamente parceiros importantes no processo e é uma oportunidade para os gestores investirem nesse momento para ajudar nossa economia à superar essa grave crise.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Economic News Brasil.

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