As investigações mostraram que as mulheres ativam as citocinas de forma intensa, mas não a ponto de causar danos aos órgãos. Além disso, apresentam um melhor controle da ativação de genes pró-inflamatórios, tais como o CXCL8 (e seus receptores CXCR1 e CXCR2) e a Interleucina-1β. Esses são considerados genes-chave das vias imunológicas.
As investigações mostraram que as mulheres ativam as citocinas de forma intensa, mas não a ponto de causar danos aos órgãos. Além disso, apresentam um melhor controle da ativação de genes pró-inflamatórios, tais como o CXCL8 (e seus receptores CXCR1 e CXCR2) e a Interleucina-1β. Esses são considerados genes-chave das vias imunológicas.

A pesquisa coordenada pelo Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo, por meio de análise de dados genômicos presentes em bancos de dados internacionais, concluiu que o sistema imunológico feminino produz uma resposta mais regulada, semelhante a de pacientes jovens que, na maioria das vezes, têm um melhor desfecho clínico. Já os homens possuem um perfil de expressão genética que mais se assemelha aos idosos. Os detalhes do estudo foram publicados na plataforma MedRxiv e ainda não foram revisados por outros cientistas.

Os pesquisadores utilizaram dados de outros estudos depositados no GEO Database (Gene Expression Omnibus). As informações foram obtidas por meio da análise transcriptômica (abordagem que investiga quais genes serão expressos para se defender do ataque de um patógeno) de cerca de mil amostras de secreções de nasofaringe (swab) e de leucócitos do sangue periférico de pacientes infectados pelo SARS-CoV-2 e de pacientes-controle.

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Os pacientes foram agrupados de acordo com o sexo, idade e carga viral. Uma observação interessante dos cientistas foi que homens e mulheres modulam de uma forma diferente os genes do sistema imune.

As investigações mostraram que as mulheres ativam as citocinas de forma intensa, mas não a ponto de causar danos aos órgãos. Além disso, apresentam um melhor controle da ativação de genes pró-inflamatórios, tais como o CXCL8 (e seus receptores CXCR1 e CXCR2) e a Interleucina-1β. Esses são considerados genes-chave das vias imunológicas.

A IL-1β já é considerada um alvo terapêutico importante e ao bloquear a IL-1β, aumenta-se a chance de sobrevivência.

Análise global

A ideia inicial era fazer uma abordagem global em diferentes grupos de pacientes: homem e mulher; idoso e jovem; e alta e baixa cargas virais, utilizando ferramentas de bioinformática. Os pesquisadores queriam ver quais genes do sistema imune são transcritos durante a infecção pelo SARS-CoV-2. A estratégia da investigação mudou no percurso e os cientistas traçaram outros caminhos. O objetivo era encontrar padrões e vias de sinalização interessantes. Compararam os pacientes infectados e saudáveis, descreveram todos os genes envolvidos no processo e detalharam as diferenças entre eles.

As amostras se agrupavam de acordo com o perfil de expressão de genes: os homens estavam mais próximos aos idosos e, as mulheres, aos jovens.

A última etapa foi a análise de comparação – também chamada análise de clusterização – somente entre homens e mulheres doentes. Os resultados mostraram que o padrão de expressão genética confere mais proteção às mulheres durante a infecção pelo SARS-CoV-2. O porquê disso acontecer ainda será investigado.

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