Emanuel Mota -
Emanuel Mota - "A engenharia é a máquina motora de toda essa engrenagem que é a economia do país."

Dando seguimento à nossa série de entrevistas, hoje o entrevistado em Um Olhar sobre as Profissões é o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará, Emanuel Mota.

Emanuel Maia Mota

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Engenheiro Civil, formado pela Unifor em 2002, pós Graduado em Gestão de Engenharia de Custos e Gestão de Negócios, Emanuel Mota atua no ramo de consultoria em Engenharia de Custos. Foi Gerente de Projetos da Revista Informa Custos, especializada em Engenharia de Custos e responsável pela definição e análise do custo de obras, públicas e privadas, nos diversos tipos de edificações. Atualmente está no segundo mandato como presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará.

  1. Por que você decidiu por essa área? Quais foram os critérios?

Eu sempre tive muita afinidade com a área de tecnologia da informação. Desde muito cedo, desde adolescente, eu já ganhava meu dinheirinho com reparos de computador, com instalação de softwares em equipamentos de informática e meu pai era da área. Ele é engenheiro, sempre foi um engenheiro de muita paixão e isso acabou me motivando a gostar também da engenharia, já que eu viajava com ele eu frequentava a obra, frequentava o serviço que ele executava. Com o tempo acabei achando que a informática poderia ficar como um espécie de plano B para mim ou uma ferramenta de trabalho. Eu encaravam e encaro muito a informática dessa maneira. Como a ferramenta de trabalho para executar melhor as minhas atividades. E aí eu pensei em fazer realmente engenharia já que eu tinha essa afinidade quase hereditária com um segmento. Hoje uso muito bem a informática aliada a engenharia para desenvolver e aumentar a minha produtividade no trabalho e no dia-a-dia profissional. Tenho isso como um mantra. Eu sou apaixonado pela engenharia, vivo da engenharia e uso a informática como grande ferramenta de desenvolvimento das minhas atividades.

  1. Existe alguma história sua interessante na faculdade ou durante os anos de experiência relacionada à profissão? Algo peculiar ou memorável?

Olha,  eu como disse anteriormente, sou apaixonado pela engenharia então passei por muitos momentos emblemáticos na minha carreira profissional e na minha vida de estudante. Vou aqui dizer dois que me marcaram bastante e eles remetem ao final do meu curso de engenharia. Um deles é meu trabalho conclusão do curso. Eu gosto muito da área de engenharia de custo, é a minha especialidade e meu trabalho de conclusão do curso eu tirei uma nota dez. Unanimidade entre a banca examinadora. E foi justamente uma ferramenta de computação para levantamento do curso de obras que nós devolvemos aqui no escritório e que acabou se transformando em uma ferramenta comercial e até hoje nós comercializando o slide. O nosso software de orçamentação de obras que usamos para trabalhar no escritório e também tem uma versão comercial para a gente vender aí para os engenheiros. Temos muitas cópias vendidas em diversos estados do país. Esse foi o momento mais emblemático na minha carreira. E o segundo momento é a minha colação de grau. É o momento em que eu recebi ali o título de engenheiro. Como a coroação de todo um vida de estudos, como a reta final, e o cume é minha colação de grau em engenharia civil. Uma profissão que me honra muito. 

  1. Como você avalia a situação atual do profissional?

Eu avalio a atual situação do profissional com muito otimismo. Estamos passando por um dos períodos mais emblemáticos da história da humanidade. Um período onde praticamente 80% da economia mundial ficou parada, as pesquisas apontam isso. E ao mesmo tempo a gente está saindo de um momento de pandemia. Embora os números ainda apontem oscilações na quantidade de pessoas contaminadas. Mas a gente sai desse momento de pandemia com a engenharia fortalecida pois ficou demonstrado que a engenharia é a máquina motora de toda essa engrenagem que é a economia do país. É a maior cadeia produtiva. Foi a cadeia produtiva que até recentemente foi inserida nas prioridades de vacinação tendo em vista a sua importância nesse momento de retomada. Onde as prioridades estavam só apenas nos idosos, profissionais de saúde…A engenharia ela é responsável por estruturar todo esse sistema. Eu costumo dizer que a cadeia da construção civil é a primeira a sentir a crise mas também a solução para saída. A partir do momento que você investe em infra estrutura, investe em construção e investe no ramo imobiliário você gera recursos direto na economia. Na primeira semana de qualquer obra você tem dinheiro na mão daqueles profissionais engenheiros envolvidos. Os pedreiros, serventes de obras e toda essa mão de obra envolvida na construção. Sem falar também em toda a cadeia produtiva, a indústria de transformação, quem produz cimento, quem produz tintas e quem produz as argamassas, quem produz o aço também, a parte do agronegócio onde está envolvido ali o extrativismo da matéria prima, está envolvido ali os alimentos. Então eu encaro esse momento um momento de muita importância para que a gente entenda como funciona toda essa engrenagem. A engenharia vai sair ainda mais fortalecida ainda mais quando a gente vê os dados macroeconômicos onde os juros para aquisição de imóveis estão caindo. Os financiamentos imobiliários estão batendo todos os recordes. A infraestrutura do país tá acontecendo e eu vislumbro aí cada vez dias melhores. A gente também observa em outras modalidades da engenharia, da Agronomia e das Geociências também essa movimentação. Novos caminhos estão se abrindo na internet, no desenvolvimento de ferramentas computacionais e ferramentas robóticas e tudo isso envolve a engenharia de alguma forma. Então vejo isso com muito otimismo e com certeza a gente vai viver dias melhores passando aí pela engenharia.

  1. Existe valorização? Como o profissional pode estar sempre se atualizando? Qual a importância disso e a relevância da profissão?

A gente vive hoje no mundo com crescimento exponencial. As coisas que acontecerem hoje e as coisas que vão acontecer daqui a dois anos não acontecerão na mesma velocidade das coisas que aconteceram há dois anos. A tendência é que essa velocidade do surgimento de novas tecnologias novas formas de se trabalhar vai acontecer de forma exponencial. A gente precisa estar atento e atualizado para entender todas essas mudanças e poder adaptar a rotina de trabalho a essas mudanças, colaborando para uma sociedade mais segura e mais consciente.

Sobre a valorização profissional, eu encaro isso com muita tranquilidade. Eu acho que realmente a valorização profissional tem que partir de nós profissionais. Não é ninguém que vai fomentar essa valorização. Não adianta o cara valorizar um instituto qualquer, valorizar o cofre, valorizar a si próprio e o profissional não se sentir valorizado. Não se sentir com orgulho. Não adianta o profissional não se sentir importante para essa máquina motriz na sociedade. Então entendo que essa valorização tem que passar por mudança de percepção da sociedade. A sociedade tem que entender a importância dos profissionais de engenharia e os profissionais de engenharia tem que se valorizar, negociando seus serviços de forma coerente, com ética e moral. Com isso mostram a importância de se ter profissionais responsáveis à frente do Serviço de Engenharia e Agronomia. Dessa forma a gente vai ter uma profissão valorizada.

  1. Quais foram as principais conquistas da categoria nos últimos anos?

A gente viveu ali nos últimos anos um período bem complexo. Saímos de uma crise pós Lava-Jato onde os principais vilões apontados sempre foram do segmento da construção civil e do segmento do agronegócio. A gente identifica muitos vilões mas o segmento foi bem resiliente e conseguiu se reestruturar e entrar em dias de glória. De repente veio um outro problema, mundial, que foi a pandemia. Onde a gente observou que o agronegócio foi um grande mola de propulsão para manter o país na ativa. A construção civil ficou freada mas a gente vê nesses dias que se identificou a construção civil como uma grande solução. Então eu acho que essa conquista de ser reconhecido pelos poderes constituídos como importante na sociedade neste desenvolvimento. Essa foi a grande conquista. Eu falo isso não como conselho profissional mas falo isso como um profissional da engenharia que observa o mercado privado e que observa o mercado público, que observa todos esses mercados envolvidos aí em prol da melhoria das nossas profissões.

  1. Como os conselhos podem atuar em prol da profissão?

Os conselho de classe são autarquias públicas e têm uma movimentação muito peculiar. Especificamente na engenharia, o principal papel dele é defender o exercício e realizar a fiscalização do exercício ilegal da profissão em defesa da sociedade. Isso quer dizer que a fiscalização desses profissionais tem o papel de garantir que todos os serviços de engenharia, agronômica e Geociências tenham profissionais responsáveis técnicos. Dessa forma é criada, entre aspas, uma reserva de mercado para profissionais. A sociedade, ao longo dos últimos anos, vem aprendendo a contratar esse serviço de engenharia. Na época dos nossos avós, todos eles já frequentavam médicos, faziam tratamento e utilizavam o serviço de medicina mas dificilmente você vê um desses nossos avós contratando engenheiros para fazer a reforma da sua casa, para construir a sua residência. Hoje em dia a gente vê isso diferente. A gente vê os condomínios preocupados em manter o seu patrimônio. A cidade de Fortaleza especificamente, o estado do Ceará está envelhecido mas a gente vê as pessoas trabalhando no sentido de contratar profissionais de engenharia para realizar inspeções prediais, para realizar laudo de vistoria, para executar as melhorias nos seus empreendimentos. Então eu vejo isso como uma grande conquista e isso tudo é feito devido à fiscalização, devido a um reposicionamento que foi feito nos últimos anos do Sistema Confea e Crea aqui no estado do Ceará.

  1. Desde que assumiu a presidência, pode destacar quais as principais ações?

Desde quando eu assumi a presidência muita coisa mudou. Eu cheguei na frente do Crea como uma gestão muito mais inovadora, com pilares na fiscalização, na valorização profissional e na inovação tecnológica. E desde 2002, quando foi o nosso primeiro ano de gestão, a gente vem trabalhando em ações nesse sentido. A principal delas, pode parecer uma bobagem, mas eu encaro com uma das mais importantes, é a gestão “portas abertas” e a gente recebe de forma indistinta todos os profissionais de Engenharia, Agronomia e Geociências acolhe todos os seus anseios e suas angústias para que a gente consiga construir um ambiente de trabalho mais positivo para todos esses profissionais. E dessa forma a gente recebeu muitas sugestões e passou a melhorar a entrega dos serviços, a entrega dos serviços previstos na nossa carta de serviço, como a agilidade na emissão de RTS, como o desenvolvimento de aplicativos para celular, com pagamentos através de cartão de crédito, atendimento através de WhatsApp, de vídeo conferência, atendimento domiciliares, inclusive a gerente de atendimento delivery, e a ação de desburocratização dos procedimentos do crédito, redução dos prazos de entrega de todos os serviços, melhorias institucionais de grande relevância, melhorias internas no trato com servidores onde a gente pode implementar políticas de capacitação e de qualidade de vida. Tiveram muitas ações que a gente pode narrar aqui sem falar nas ações políticas. Onde a gente procurou a aproximação com o poder público, onde conquistamos, em Fortaleza especificamente, o início da fiscalização e da inspeção predial, onde conquistamos a nível mais amplo a valorização das profissões, com a preocupação de se remunerar adequadamente todos os profissionais contratados através de concursos. Enfim, toda uma pauta legislativa foi trabalhada e está sendo desenvolvida dentro do sistema para que a Engenharia, a Agronomia  e as Geociências sejam fortalecidas.

  1. Quais as perspectivas de projetos futuros?

A gente vê um grande universo de possibilidades aqui, hoje, perante o Crea. Em 2018,  quando eu assumi, a gente vislumbrava colocar o Crea nos dias atuais. Ele era um organismo muito conservador, com práticas conservadoras, totalmente anacrônico e fora de tempo. Nós construímos uma modernização do sistema e agora a gente pretende colocar o Crea em dias de vanguarda. Através da implementação de inteligência e estratégia na fiscalização. Com o uso de big data, de análise de dados em massa, para ampliar as ações de fiscalização. Com uso de inteligência artificial para atender melhor os profissionais, onde ferramentas computacionais vão atender os profissionais 24 horas por dia, sete dias por semana. Não apenas ali um servidor do Crea atender às demandas. Vamos dimensionar um novo sistema de informática para facilitar o preenchimento dos registros, dos serviço em geral, que seja mais amigável, que seja que construa melhor um trato com os profissionais. Vamos também trabalhar a parte política se aproximando mais dos poderes constituídos para mostrar a importância da Engenharia, Agronomia e das Geociências, cobrando o pagamento do piso salarial aos profissionais concursados e contratados de empresas privadas. Cobrando também a responsabilidade técnica de todos os serviços para que esse serviço seja ofertado à sociedade formando a ter um responsável técnico. Vamos também trabalhar na capacitação profissional ofertando cursos gratuitos aos profissionais. Vamos montar um grande programa de capacitação aproveitando esses momentos que a gente está passando de reclusão e de isolamento social, devido a pandemia, para que os profissionais possam receber uma capacitação adequada e se adaptarem ao novo momento que vem através desse crescimento exponencial que a gente vê a sociedade passando. Vamos também tratar da aproximação dos profissionais recém formados, aqueles que estão saindo da faculdade mostrando a importância de se trabalhar próximo ao conselho, quais são as suas atribuições. Vamos também trabalhar uma pauta parlamentar adequada para a engenharia fortalecendo todas as modalidades para que a gente consiga modernizar as nossas leis. A gente observa que as leis que constituíram o nosso sistema são na década de 30, da década de 60, e não retratam mais a realidade dos profissionais. Então a gente precisa trabalhar isso de forma mais ativa. E esses são, em linhas gerais, os projetos para os próximos anos da nossa gestão frente ao Crea.

  1. Como você resumiria o profissional em uma frase?

Bem complexo a gente resumir os profissionais da Engenharia e Agronomia em uma frase, já que são mais de 300 modalidades de profissionais que representam diversos interesses. Eu prefiro deixar aqui uma reflexão que a gente passa por um momento de transformação na humanidade onde identificamos um crescimento exponencial de todos os segmentos. A gente precisa manter uma capacitação constante e não confiar apenas nos estudos que tivemos na faculdade, nos estudos que tivemos em cursos de pós graduação, mas poder fazer uma leitura mais ampla do que está se passando. Se capacitar continuamente nas novas tecnologias e novos métodos de trabalho. Somente dessa forma a gente terá o sucesso das nossas profissões. Somente dessa forma a gente poderá ter essa resiliência de superar todo esse momento que estamos passando.

  1. Como tem sido o investimento nos canais de comunicação e relacionamento com os profissionais e a sociedade, como o da ouvidoria?

A gente tem investido bastante nesse canal. Um dos principais projetos que cheguei a implementar à frente do Crea foi o diálogo. Foi a “Gestão Portas Abertas”. Sem dúvida alguma a ouvidoria é um grande caminho. A gente utiliza um sistema de ouvidoria moderno, da Rede Participar Brasil. Onde os profissionais acessam através do site e 0800 e podem manter um contato direto com a gestão. Todas as demandas são compartilhadas setorialmente. Todos os gestores recebem informação daquele procedimento, os gestores envolvidos na área. E a alta gestão recebe o acompanhamento dessas ações para poder monitorar e conseguir chegar  em um atendimento de excelência. Os canais do Crea são bem monitorados. Eu faço questão de acompanhar todos eles, tanto ouvidoria via site, quanto a ouvidoria 0800, como também os canais de relacionamento diversos, como o SAC do Crea, o atendimento telefônico e o atendimento via WhatsApp e muitas das respostas e realizo pessoalmente para manter esse alinhamento e entender realmente o que é que esses profissionais estão precisando. Sem falar na rede social que hoje em dia é um dos principais canais de relacionamento entre as instituições e seus registrados, seus profissionais, para poder receberem as informações e poder entender como funciona no dia a dia da instituição. Como a instituição pode melhorar o seu ambiente de trabalho.

  1. Existe algo que queira acrescentar?

Eu só gostaria de parabenizar a iniciativa do veículo Economic News Brasil. Perante a reconhecer a importância desse grande sistema que é o Sistema Confea/Crea. Sistema que congrega mais de um milhão e meio profissional de todo o Brasil e é o maior conselho multiprofissional do mundo. Aqui no Ceará, congregam mais de 30 mil profissionais e todos esses profissionais, nas mais diversas modalidades, com muita importância no seu dia a dia. São os profissionais da Agronomia que colocam os alimentos, a matéria prima e extrativismo à nossa mão, na nossa mesa. São profissionais da engenharia que constroem,  que executam e que materializam sonhos. São professor da Geociências que tem atuação direta num meio ambiente de trabalho, no meio ambiente de forma geral, para garantir segurança. Todas essas três modalidades envolvidas garantem a segurança para a sociedade de que esses serviços estão sendo executados com responsabilidade. Então eu queria agradecer essa oportunidade de estar aqui conversando com um veículo e colocar as portas do Crea, colocar toda a estrutura do Crea à disposição da sociedade. Leve essa mensagem a todos seus canais a todos os seus seguidores. Muito obrigado.

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