Dr. Hugo, Vamos Surfando

DR. HUGO, VAMOS SURFANDO
Foto: Divulgação
Certa feita, na adolescência, eu estava participando do Fortal, o carnaval fora de época em Fortaleza, no bloco do Asa de Águia e vez por outra o cantor Durval Lélis dizia: “que onde é essa meu irmão?”
 
 
Estava aqui lembrando as ondas que vivenciamos no decorrer de nossa existência e imaginando o Durval Lélis compondo um de seus axé musics sob o título a dança da onda da pandemia… que onda é essa meu irmão?
 
 
Aí a saudade bateu com força porque lembrei de um dos meus mentores, o grande advogado José Ibiapina Siqueira Júnior (Dr. Ibiapina), homem de saudosa memória, um gentleman, educado, possuidor de cultura elevada e de muita sabedoria. Era meu chefe quando comecei a trabalhar na Federação do Comércio do Estado do Ceará, há 30 anos. Nos momentos de maiores dificuldades na Fecomércio daquele tempo ele sempre me dizia: “Dr. Hugo, vamos entrar nessa onda e vamos passar por ela… vamos surfando…”.
 
 
Imagino o Dr. Ibiapina nos dias de hoje, tempos de reforma trabalhista, reforma tributária, reforma da previdência social; imagino o Dr. Ibiapina em tempos de pandemia; em tempos de intolerância religiosa, de raça, de cor, de gênero; em tempos de degradação do humano; em tempos de desprezo ao comportamento ético; tempos de vale tudo, inclusive e principalmente fake news; enfim em tempos de dicotomia política exacerbada, onde o que vale mais é a forma de pensar deste ou daquele grupo político e o que mais lhes beneficia e menos importa o que é verdadeiramente melhor para a população em geral.
 
 
Que onda é essa meu irmão?!
 
 
Imagino que o Dr. Ibiapina orientasse para entrarmos na onda e surfarmos, mas também imagino que do alto de sua sapiência ele diria mais, ele diria para mergulhamos nessa onda e participarmos ativamente dela, porque não se concebe a omissão. Advogados são agentes de transformação social, política e econômica e assim devem pautar o seu agir, porque o nosso fim é fazer justiça.
 
 
É hora de surfar e mergulhar na onda e aplicar o modelo socrático (a maiêutica), onde, a partir da ironia crítica é possível “dar a luz” à verdade, eis que “a verdade está latente em todo ser humano, podendo aflorar aos poucos na medida em que se responde a uma séria de perguntas simples, quase ingênuas, porém perspicazes”.
 
 
Dar a luz à verdade é fazer justiça e fazer justiça, como nos ensinaram os romanos, é “dar a cada um o que é seu” e para isso, é preciso quebrar a dicotomia entre bem e o mal; é preciso compreender que o espaço republicano é de todos e a todos é preciso dar a voz e a vez; a todos é preciso permitir surfar e mergulhar na onda, sem repressão e sem intolerância, afinal, todos temos algo a contribuir, seja de qual lado estejamos.
 
 
Assim, parafraseando o Dr. Ibiapina, convido a todos para seguirmos surfando (e mergulhando) nessa onda e nas ondas que virão.
 
 
Advogados, gostamos de pensar e fazer o Direito “fora da caixinha” e de um bom papo!
 
 
Por HUGO LEÃO
Advogado, Especialista em Direito e Processo do Trabalho, Assessor da Presidência do Sistema Fecomércio/CE e Diretor do Escritório Hugo Leão Advocacia.

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