Imobiliária americana chega ao Brasil para construir imóveis para alugar

O projeto é focar em inquilinos de média e alta renda, com alugueis mensais entre R$ 3 mil até R$ 10 mil.

Imobiliária americana chega ao Brasil para construir imóveis para alugar
Foto: Rentals.ca

A Greystar Real Estate Partners, forte empresa do mercado imobiliário norte-americano, está chegando ao Brasil para apostar em um segmento pouco explorado: edifícios residenciais construídos 100% para locação.

A entrada da Greystar no Brasil terá como sócia a incorporadora Cyrela e do fundo de pensão canadense CPP Investments, que no fim de 2019, criaram uma empresa focada com a finalidade do projeto.

Participação

A Greystar entra no negócio com uma pequena fatia, de 5% e fará o desenho dos empreendimentos, a locação e administração dos imóveis. A Cyrela terá 20% de participação, além de atuar na compra dos terrenos e na execução das obras. O CPP Investments terá 75%, sendo responsável pela maior parte dos desembolsos. A meta do grupo é investir R$ 1 bilhão no lançamento de dez empreendimentos nos próximos três anos, na capital paulista.

“Podemos chegar a R$ 1,5 bilhão se encontrarmos mais oportunidades ou se a economia brasileira se recuperar mais rápido do que o previsto”, disse a diretora de investimentos imobiliários do CPP, Marcela Drigo. Segundo ela, a taxa de retorno estimada é de 14% a 15% ao ano.

O diretor da Greystar na América do Sul, Tom Livelli, tem a perspectiva de chegar a 5 mil unidades alugadas em cinco anos no País. De acordo com a sua avaliação, a atratividade do mercado brasileiro pode crescer rapidamente, especialmente no setor de locação, em que há pouca concorrência. “Vemos uma oportunidade tremenda de crescer.”

Nesse segmento do aluguel, a escala é importante para diluir custos dos contratos de segurança e limpeza dos condomínios. Os empreendimentos têm mais ou menos o mesmo desenho ao redor do mundo, com algumas adaptações locais. “Me chamou a atenção o gosto dos brasileiros por churrasqueira na varanda e uma área de serviço grande para acomodar máquina de lavar. São diferenças culturais importantes que identificamos”, comenta Livelli.

Os primeiros três projetos do grupo ficarão nos bairros de Higienópolis, Pinheiros e Moema. Os edifício terão, em média, 150 unidades, variando com opções de pequenos estúdios até apartamentos de três quartos.

O foco são inquilinos de média e alta renda, com valores mensais de aluguel girando entre R$ 3 mil até R$ 10 mil.

Modelo

No mercado brasileiro, na maioria dos casos, os imóveis disponíveis pertencem a pessoas físicas que alugam através de imobiliárias. No mercado norte-americano e europeu, o segmento é dominado por incorporadoras e fundos de investimento, que detêm um patrimônio de milhares de apartamentos construídos especificamente para esse fim. Em 2019, foram construídas 280 mil moradias nesta categoria nos EUA, aponta a consultoria CBRE. Somente a Greystar tem 693 mil unidades em 200 cidades americanas, europeias e asiáticas.

Brasil

No mercado brasileiro, os primeiros negócios do segmento surgiram há cinco anos e o mercado tem hoje aproximadamente 7 mil apartamentos nesse nicho, contando unidades prontas ou previstas para os próximos anos.

A Luggo, subsidiária da MRV, dispõe de 3,2 mil unidades na esteira de produção nas cidades de Belo Horizonte, Curitiba e São Paulo, sem contar outros 400 que já foram negociados para um fundo de investimento imobiliário. A JFL Realty, de Jorge Felipe Lemann, tem 337 unidades e 1 mil em desenvolvimento até 2022.

A diretora de locação residencial do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Carolina Burg, disse ao Estadão que, se o Brasil atrair investimentos equivalentes a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nesse nicho, que é a média nos EUA e na Europa, isso representaria cerca de US$ 10 bilhões por ano, explica, citando pesquisa de consultorias.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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