Shoppings no Brasil apostam na venda pela Amazon

Parceria busca ampliar vendas digitais, consideradas essenciais para sustentação após a pandemia

Com o processo inicial de reabertura ainda restrito na maioria dos estados e municípios brasileiros, os shoppings começam a adotar novas estratégias para garantir a retoma das vendas e atender os consumidores que fazem parte do grupo de risco ou que querem manter o distanciamento social independente de imposição de regra pelo poder público.

Além da manutenção dos quiosques para “drive-thru” e delivery após o período da quarentena, os shoppings Eldorado, em São Paulo, e Nova América, no Rio de Janeiro, vão levar as lojas para a Amazon Brasil. Já a partir deste mês, por meio de uma parceria, os empreendimentos terão uma página exclusiva no marketplace.

Nas lojas físicas, a expectativa é que o fluxo médio de pessoas e as vendas registrem queda de até 50% em relação ao cenário pré-pandemia.

Segundo o diretor de marketing da Ancar Ivanhoe, administradora dos dois shoppings, Diego Marcondes, a ação com a Amazon faz parte de um pacote de medidas voltada para a digitalização das vendas. A empresa pretende manter páginas para todos os shoppings do grupo na plataforma da Amazon até o final do ano, conforme meta imposta no planejamento.

O delivery dos produtos será de responsabilidade dos lojistas, que também poderão utilizar os serviços oferecidos pela Napp Solutions para digitalização de seus estoques de forma gratuita por um período mínimo de 60 dias ou enquanto o empreendimento estiver fechado.

Armários digitais

Outro processo adotado como forma de incentivar as vendas foi a disponibilização de armários digitais em 21 empreendimentos da administradora.

“Quanto mais oportunidades de compra e venda, tanto para o lojista quanto para o consumidor, melhor. Esses lockers (armários) também vêm para corroborar isso”, afirmou o diretor da Ancar em entrevista à Folha.

O serviço, chamado de “Retire Aqui”, já começou a ser instalado nos shoppings e funcionará como um drive-thru, mas sem hora marcada. O cliente entra em contato com a loja, via site ou Whatsapp, e faz a compra.

Caso opte por retirar o produto nos armários disponíveis nas áreas de acesso do shopping, basta usar o QR Code disponibilizado pela marca para destrancar a gaveta e pegar a compra em até 72 horas.

Os armários estarão nos shoppings Nova América, Boulevard, Botafogo Praia, Madureira, Nova Iguaçu e Rio Design Barra, no Rio de Janeiro. Já em São Paulo, estarão nos shoppings Pátio Paulista, Eldorado, Itaquera, Golden Square, Parque das Bandeiras e CenterVale.

Regiões

No Nordeste, a ação ocorre em Fortaleza (North Shopping Fortaleza, North Shopping Jóquei, Via Sul) e Natal (Natal Shopping). O Conjunto Nacional, em Brasília, o Pantanal Shopping, em Cuiabá e o Porto Velho Shopping, em Rondônia, também receberão os armários.

De acordo com Evandro Ferrer, presidente da Ancar Ivanhoe, a expectativa é que 50% dos consumidores sigam comprando online após a pandemia. “Os shoppings e o varejo como um todo precisaram acelerar a digitalização”, disse Ferrer.

E-commerce 2019

O comércio eletrônico alcançou faturamento de R$ 75,1 bilhões em 2019, registrando alta nominal (sem considerar a inflação) de 22,7% em relação ao ano anterior, de acordo com dados do relatório NeoTrust.

O estudo analisou o varejo digital por trimestre com base nos dados coletados pela empresa de inteligência de mercado Compre&Confie.

O volume de pedidos teve acréscimo de 22,5%, o que representa 178,5 milhões de compras em 2019. O tíquete médio ficou relativamente estável, com variação de 0,2%, para R$ 420,4.

A média de gasto total do consumidor foi de R$ 2.121 em 2019 comparado a R$ 1.914 do ano anterior.

Confiança

De acordo com o estudo, os dados apontaram para o consumidor brasileiro comprando mais eletronicamente em 2020. Agora, em virtude do distanciamento social provocado pela pandemia do Covid-19, levantamentos indicam que os consumidores passaram a utilizar mais o meio eletrônico para o consumo, inclusive aqueles que nunca tinha se utilizado da modalidade por desconfiança.

Na realidade, o que muitos empreendedores estão certos é que o comportamento dos consumidores mudou e só o tempo poderá dizer o resultado das mudanças impostas pelo momento no comércio mundial.

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