Há mais propaganda de bancos que empréstimo real, diz presidente do Sebrae

Carlos Melles defende mais crédito de capital de giro para evitar que empresas desapareçam na crise.

Base da economia brasileira, os micro e pequenos negócios sentiram em primeiro instante o impacto econômico da pandemia causada pelo coronavírus e correm para tentar evitar consequências maiores, como o desmonte dos negócios. Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 89% do setor sofre com queda no faturamento devido à pandemia.

O órgão não trata sobre a necessidade de flexibilização ou não das medidas de distanciamento social, mas foca na tentativa de concessão de capital de giro para que as empresas mantenham a mínima saúde financeira e consigam atravessar a crise sem desaparecer.

Em recente entrevista a VEJA, o presidente do Sebrae, Carlos Melles, afirma que, mesmo com linhas de crédito que garantem parte dos recursos aos bancos, como o da lei que foi sancionada nesta terça-feira, 19, que define que 85% do empréstimo para micro e pequena empresa é garantido pela União e uma outra linha em que 80% é garantido pelo próprio Sebrae, não gera apetite de risco aos bancos. Com isso, o acesso a financiamento limitado dificulta a situação dos pequenos empresários.

Pesquisa

Pelo menos 600 mil micro e pequenas empresas fecharam as portas e 9 milhões de funcionários foram demitidos em razão dos efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus. É o que apontou recente levantamento feito pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às micro e pequenas empresas).

A pesquisa também mostra que 30% dos empresários tiveram que buscar empréstimos para manter seus negócios, mas o resultado não tem sido positivo: 29,5% destes empreendedores ainda aguarda uma resposta das instituições financeiras e 59,2% simplesmentes tiveram seus pedidos negados.

Mais da metade (55%) dos micro e pequenos empresários terão que pedir empréstimos para manter os negócios funcionando sem gerar demissões. O levantamento foi feito de forma online e ouviu 6.080 microempreendedores individuais, micro empresas e empresas de pequeno porte entre os dias 3 e 7 de abril.

Diante dos dados levantados pelo Sebrae e da dificuldade real dos empreendedores na obtenção dos empréstimo, que na maioria são exigidas garantias reais, são aguardadas mudanças por parte do governo federal para a agilidade e flexibilização dos trâmites .

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