O aumento do investimento deve frear a busca dos brasileiros pelo projeto de vida nos EUA via EB-5.

“O número de pessoas que tem a disponibilidade de capital de US$ 500 mil não é o mesmo de pessoas que tem US$ 900 mil, diz Elisa Bezerra, vice-presidente da LCR Capital Partners, empresa que assessora quem planeja aplicar para essa modalidade de visto.

A especialista alerta que é preciso conhecer muito bem os projetos e também as companhias que os desenvolvem para saber exatamente onde serão investidos os recursos. “Tem que avaliar bem qual é a empresa que está por trás do projeto para que haja segurança a aplicação do EB–5, em relação a todas as exigências, desde financeiras até imigratórias”, completou Eliza.

“Em razão do aumento vai haver diminuição. Porque nem todos têm acesso ao montante mais as taxas de documentação, tradução, honorários e acompanhamento processual”, diz Daniel Toledo, especialista em direito internacional, do escritório Toledo e Advogados Associados.

Nos últimos sete anos, houve um crescimento anual contínuo no número de vistos EB-5 emitidos a brasileiros. Em 2018, o crescimento foi de 37,5% comparado ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do serviço de imigração e Cidadania dos EUA.

O novo valor do aporte, contudo, deve segurar esse crescimento. Isso porque a diferença a ser desembolsada deve somar ao valor do projeto.

Se apenas essa diferença é inacessível para grande parte dos brasileiros, o valor total de R$ 3,7 milhões do “Green Card” restringe ainda mais o grupo que pode solicitar o visto.

Por isso, por ser um programa acessível a poucos brasileiros, mesmo que haja uma redução no número de requisições, essa queda não deve ser brusca, segundo análise do gerente para investidores brasileiros da EB-5 Capital, Gustavo Marchesini.

“Ainda que o câmbio aumente, que o valor suba, vai ter gente que tenha grana para investir no programa. O perfil do brasileiro que faz EB-5 é de quem tem bastante dinheiro. Esperando uma diminuição, mas não grande”, comportou Marchesini.

O caminho para o El Dorado, porém, não é pavimentado apenas pelo aporte de US$ 900 mil. Além dos investimentos precisarem ser direcionados às chamadas TEA (Targeted Employment Areas), áreas com índice de desemprego acima da média nacional e de baixo desenvolvimento), é preciso que gerem ao menos dez empregos diretos. Só após completar todas essas etapas (que juntas duram em média dois anos e meio) é que o visto permanente é concedido.

As novas regras, além de alterarem o valor do investimento, também mudam como serão definidas as TEAs. O advogado Daniel Toledo explica que, com a mudança, a seleção dessas áreas serão muito mais criteriosas.

“Antigamente havia área pré-delimitadas de TEA. Confesso que elas estavam até defasadas porque foram feitas há décadas. Por exemplo, Miami Beach antes era uma área que precisava de desenvolvimento. Hoje não, e ela ainda era TEA”, afirma Toledo.

(Folha)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui