REUNIÃO-CAMINHADA: UM CONCEITO QUE FAZ BEM AO CORPO E AO CÉREBRO

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E se na próxima reunião o convidassem para dar um passeio? É a conversar enquanto caminham que os executivos de algumas grandes empresas tecnológicas tomam decisões. As reuniões em jeito de caminhada promovem a saúde, estimulam a criatividade e aumentam a motivação. Em Portugal já se fazem e têm potencial de crescimento.

Esqueça as mesas ovais, as cadeiras desconfortáveis, o ar condicionado, a iluminação artificial. “Tem uma reunião? Faça uma caminhada”. O desafio foi lançado por Nilofer Merchant gestora de inovação, numa Ted Talk de 2013, que se tornou viral. Mas o conceito de reunião-caminhada já se tinha tornado popular com Steve Jobs, criador da Apple, que tinha por hábito fazer passeios para falar de assuntos sérios.

Há quem lhes chame “walking meetings”, “co-walking” ou “walk and talk”. Diferentes designações para o mesmo conceito: reuniões de trabalho que decorrem enquanto os funcionários caminham. Segundo a BBC, este é um método que também já foi adotado por alguns executivos de grandes empresas tecnológicas, como Mark Zuckerberg, do Facebook, e Jack Dorsey, do Twitter. Barack Obama, ex-presidente dos EUA, também é frequentemente apontado como adepto desta modalidade.

Esta é uma prática que tem, desde logo, benefícios ao nível físico, já que promove a atividade física e ajuda a prevenir doenças. Segundo Nilofer Merchant, as pessoas passam, em média, 9,3 horas por dia sentadas, mais tempo do que a dormir (7,7 horas). “Estar sentado tornou-se o fumar da nossa geração”, refere, destacando que a inatividade aumenta o risco de alguns tipos de cancro (mama e cólon, por exemplo), doenças cardíacas e diabetes. Por isso, “em vez de ir a reuniões em cafés ou em salas de reuniões de luzes fluorescentes”, convida as pessoas para reuniões-caminhada, “ao ritmo de 30 a 50 quilómetros por semana”.

Mário Ceitil, presidente da Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas (APG), confirma que “a criatividade lida bem com ambientes mais descomplexados, menos clássicos e ortodoxos”. No seu entender, a caminhada é, efetivamente, uma forma de estimular a criatividade e de “treinar a capacidade de as pessoas serem mais ágeis e desenvolverem maior flexibilidade cognitiva”

Para haver sucesso num encontro deste tipo, é essencial “que as pessoas estejam focalizadas no tema da reunião para não dispersarem facilmente”, uma vez que o ambiente exterior é mais propício a distrações. “Na política, temos várias imagens deste tipo de reuniões. Cada vez mais deixa de haver necessidade de estar num local formal para tomar determinadas decisões”.

As reuniões-caminhada só funcionam com grupos pequenos, no máximo de três pessoas, para que haja uma boa interação e compreensão. “E são mais típicas de empresas com um nível de maturidade elevado, quando as pessoas têm um sentido de propósito em relação à organização e quando está muito claro o sentido da reunião”, esclarece.

Um dos princípios que costumam ser referidos é, precisamente, planear com antecedência o trajeto, para que a reunião seja mais produtiva. Dependendo da duração do encontro, podem ser dadas duas voltas no mesmo percurso, que podem ser feito num parque ou num outro local com pouco ruído. E pode até incluir uma pausa a meio do trajeto.

Como qualquer reunião, é necessário que haja planeamento. Num artigo publicado na Forbes, Kara Goldin, CEO da empresa Hint, de São Francisco, diz que os documentos importantes devem ser partilhados antes do encontro, dando tempo aos intervenientes para os analisarem. No final da caminhada, a empresária sugere que tire de imediato todas as notas, antes de se distrair com outras tarefas.

Para Kara Goldin, que costuma adotar esta metodologia, o conceito é interessante para conversar com a equipe ou discutir um problema com um parceiro ou fornecedor. Ou até mesmo para entrevistar um candidato a uma vaga de emprego.

(Joana Capucho/LinkedIn)


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