CEARENSES PERDEM MILHÕES EM CORRETORA


Mais de 50 investidores cearenses perderam, no último dia 5 de agosto, de forma conjunta, mais de R$ 10 milhões em aplicações que supostamente estavam circulando no mercado financeiro em operações de uma corretora, a Miner Investimentos. O real motivo da subtração dos recursos, contudo, ainda é incerto – a empresa responsável pela movimentação financeira dos aportes alega ter cometido erros estratégicos e reitera que foi vítima de um golpe perpetrado por outra empresa. 

Apesar da indicação de ter sido lesada, a Miner, e os sócios dela, não estavam autorizados a realizar as atividades que afirmavam fazer, tendo recebido intimações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para encerrar as operações de “administração de carteira de valores mobiliários”. Na visão dos investidores, toda a situação aponta para um cenário de golpe esquematizado pela empresa, que vinha atraindo pessoas para a própria carteira de investimentos, sem ter permissão para isso, desde 2017.

Segundo relatos de alguns clientes que foram afetados pela operação da Miner, a empresa se apresentava como um corretora de investimentos por meio de dois sócios: Renee Silva e Geraldo Vieira. Ambos afirmavam morar em São Paulo, onde fica a sede da Miner. Além dos dois, a corretora ainda contava com um representante em Fortaleza, Fabrício Brandão. "A reportagem do Diário do Nordeste" buscou os três para obter esclarecimentos, mas conseguiu contato apenas com Silva, que se limitou a direcionar a equipe à assessoria de imprensa.

Promessas atrativas

Uma publicitária que preferiu não se identificar afirmou que a Miner prometia rendimento mensal de 2% de todos os aportes realizados. A apresentação era “surpreendente”, conta ela. A empresa exibia os mecanismos de investimento de forma direta e precisa, com várias informações sobre o mercado financeiro e com os detalhes das estratégias para envolver os clientes. 

“Eles explicavam que nunca investiam tudo no mercado de ações e que não corriam riscos desnecessários. Os rendimentos garantidos de 2%, eles diziam que viam pela proporção de todos os aportes que eles tinham, que tudo era feito com um planejamento para assegurar os resultados. O discurso era lindo, tanto que muita gente acreditou e ainda convidou amigos e familiares”, disse a publicitária. Ela tinha mais de R$ 20 mil investidos.

A esperança de lucros acima da média do mercado, contudo, acabou no último dia 5 de agosto, quando os investidores receberam um e-mail da Miner afirmando que a empresa havia firmado um acordo com a CVM para encerrar as atividades. Mas o que tirou o sono dos clientes, que foram informados às 23h daquela segunda-feira, foi que a Miner teve de “realizar um prejuízo nos seus investimentos” de 75% do total. Os 25% restantes seriam devolvidos aos investidores em até 15 dias úteis.

“Os ativos tiveram variação negativa de 75,27% por conta de um golpe perpetrado contra a Miner pela JJ Invest, que lesou milhares de investidores no Brasil. Uma ação judicial é movida pela Miner na Justiça do Rio de Janeiro contra a JJ Invest para recuperar os valores e repassá-los aos cotistas”, disse a Miner em nota. Esse processo, no entanto, corre em segredo de Justiça. 

A Miner Investimentos não mentiu que havia firmado um acordo com a CVM, mas demorou sete dias para informar os clientes da intenção de encerrar as atividades. A empresa havia sido intimada pela CVM por atuar irregularmente com a “administração de carteira de valores mobiliários, sem estar registrada ou autorizada pela CVM para tal”, segundo documentos oficiais aos quais a reportagem teve acesso. 

Em uma das respostas a CVM, os sócios da Miner afirmaram, no dia 30 de julho, que encerrariam as atividades da empresa no dia 5 de agosto. No entanto, o processo junto à Comissão de Valores Mobiliários havia começado em março deste ano, a partir da denúncia de dois investidores da empresa. Ao todo, a Miner Investimentos gerenciava aportes que somavam cerca de R$ 120 milhões de 1.339 investidores em todo o Brasil. 

“É importante frisar que a Miner informava aos cotistas que os investimentos eram de alto risco, sujeitos a oscilações e a prejuízos”, afirmou a Miner em defesa própria. 

Fonte: Diário do Nordeste/Négocios


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