EXISTEM EMPRESAS FAMILIARES SEM CONFLITOS?



É muito difícil responder esta questão com precisão, mas minhas pesquisas apontam que 85% das empresas familiares têm algum tipo de conflito familiar. Os conflitos mais comuns são entre pais e filhos e entre irmãos.

Conversando com um consultor muito experiente em conflitos na empresa familiar, ele disse-me que por trás dos conflitos existem duas palavras: poder e dinheiro.

Em um primeiro momento não acreditei, mas depois de ter tido relacionamento com mais de 450 empresas familiares entre consultoria, mediação e pesquisa, percebi que estas palavras realmente podem ser a causa de muitos conflitos. Disputa de poder entre sócios e divisão de dinheiro (ou dívidas) são fontes de inúmeros conflitos.

Um outro aspecto que pode motivar conflito é a diferença de princípios ou valores.

Para uma família, com pais e três filhos solteiros, os valores provavelmente são semelhantes, mas quando os filhos se casam, quatro famílias são formadas e talvez, tenham valores e princípios diferentes.

Ter ideias distintas pode não ser necessariamente algo muito complicado. Uma pessoa gosta do azul e a outra gosta do amarelo e mesmo assim podem achar uma terceira via e entenderem, a cor verde, como uma solução para o impasse das cores.

Já com princípio, a realidade é outra. Um princípio é como um ato de fé: acredita ou não acredita. Desta forma as diferenças de valores ou princípios podem ser seguramente uma forte causa da baixa taxa de sucesso durante o processo sucessório e, para reduzir esta diferença um apoio externo talvez seja necessário, como por exemplo um mediador familiar.

Além das diferenças de princípios, as mágoas também têm a capacidade de gerar conflitos entre os familiares, sobretudo em momentos nos quais os pais não estão mais vivos. Esta situação pode impactar negativamente na empresa.

Parece brincadeira, mas um videogame que um irmão ganhou quando jovem e o outro irmão não ganhou, pode gerar conflitos futuros entre esses irmãos. Enquanto os pais estão vivos estas mágoas muitas vezes não são expressas e o irmão a guarda silenciosamente, mas durante o processo sucessório as mágoas aparecem, os conflitos surgem e o resultado todos conhecem.

Nenhuma empresa familiar sobrevive com sócios despreparados e com disputas entre os mesmos. Estes fatores conflituosos levam a empresa a não ser a coisa mais relevante para os sócios. O que passa a importar de fato, é vencer a disputa com o sócio. Este é o início para fim de uma sociedade.

Uma outra situação que provoca conflitos é a disputa dos filhos pelo amor dos pais. Os pais amam os filhos na mesma proporção, mas por questões de afinidades um pai pode aproximar-se mais de um filho do que de outro. O filho que não tem tanta afinidade pode perceber este fato como falta de amor por ele.

Muitas vezes também, um filho pode ter uma fragilidade emocional e isto levar os pais a terem mais cuidado com ele. A lógica deveria fazer o outro filho ficar contente por não ter fragilidade nenhuma e assim não precisar de tanto cuidado dos pais quando comparado ao seu irmão.

Na prática pode acontecer o contrário e achar que os pais não gostam tanto dele. A realidade é uma ilusão, o que vale é a percepção que as pessoas têm sobre as situações ou pessoas. Temos que tomar muito cuidado nos relacionamentos com os filhos.

Toda a discussão acima nos mostra que a sucessão pode não ter um resultado favorável em função da presença de conflitos entre os familiares e estes serem originados por diversas razões.

Qual o correto? Temos de tratar as pessoas como gostaríamos de ser tratados ou deveríamos tratar as pessoas como elas gostariam de ser tratadas? Pense nisso!

(Administradores.com)

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