DESEMPREGO E VARIAÇÃO ECONÔMICA FAVORECEM DÍVIDAS



Dados mais recentes da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) revelam que os consumidores com contas em atraso e registrados no cadastro de inadimplentes vêm perdendo fôlego entre os brasileiros. Em abril, o levantamento mostra que a inadimplência cresceu 2% no mês na comparação com o mesmo período do ano passado.

O índice confirma a desaceleração do avanço das pessoas que estão no negativo, que vem nesse ritmo desde novembro de 2018, quando a variação foi 6%.

Apesar de os números mostrarem melhora, o Brasil ainda registra cerca de 62,6 milhões de inadimplentes. Os números representam mais de 40% da população adulta.

Os dados do volume de dívidas em nome de pessoas físicas registraram uma queda de 1,23% em abril deste ano em relação com 2018. Abril foi o quarto mês seguido com recuo no Indicador de Inadimplência PF (Pessoa Física). 

A pesquisa realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil também levantou os números por setor. Os dados apontam que a maior parte das pendências (52%) está ligada aos bancos, que envolvem dívidas com cartão de crédito, cheque especial, financiamentos e empréstimos. Comércio, comunicações, água e luz são os segmentos que aparecem em seguida, com respectivamente, 17%, 12% e 10%.

Atualmente o Brasil tem mais de 13,2 milhões de brasileiros desempregados, segundo o IBGE. De acordo com Renan Menezes, economista da Genial Investimentos, esse fator combinado com a instabiliade econômica interfere na quitação de dívidas. "Quanto maior a imprevisibilidade no cenário econômico, mais difícil se torna a tomada de decisão pelos agentes econômicos.

Em momentos instáveis, empresários menos confiantes contratam menos, e o fantasma do desemprego toma conta do mercado. Aliado a isso, o Brasil possui um histórico de juros e inflação alta, o que torna ainda mais difícil um bom planejamento financeiro", afirmou.

Menezes ainda comentou que a variação da economia favorece o endividamento das pessoas. "O Brasil historicamente possui uma das maiores taxas de juros reais do mundo, como também um dos maiores “spreads” bancários [diferença do preço entre compra e venda das operações financeiras].

Somado isso a um cenário instável, os investidores preferem deixar seus recursos nos bancos, o dinheiro some do mercado, o empresariado não contrata e o desemprego tende a permanecer em patamares elevados. Esse juro alto, que é ótimo para os investidores, é péssimo para os tomadores de empréstimos, que além da incerteza do emprego, pagam ainda mais pelas suas dívidas."

Para Laila Rebouças, economista da Genial Investimentos, quem quer limpar o nome precisa cortar gastos. "Cortar gastos excessivos, não cair na armadilha de aderir a novos empréstimos ou a novos instrumentos de crédito, como novos cartões que são ofertados sem análise ao SPC ou Serasa. É necessário pensar friamente e analisar quais acordos realmente valem a pena", comentou.

Campanha de renegociação da Caixa

Na terça-feira (28), a Caixa Econômica Federal divulgou uma campanha de regularização de débitos para clientes com atraso acima de 360 dias.

Os descontos variam de 40% a 90%, dependendo do tipo de crédito contratado e o tempo de atraso. Os maiores descontos serão para os menores valores e o pagamento só pode ser realizado à vista e não envolve crédito imobiliário.

O principal benefício, de acordo com George Sales, professor da Faculdade Fipecafi, é a possibilidade de cortar parte dos juros embutidos na dívida.

"Em alguns casos, a negociação pode abrir espaço para descontos substanciais. Além disso, o banco promete, em contrapartida, retirar o nome do devedor das centrais de controle de crédito, como, por exemplo, no SPC e Serasa", afirmou.

Os clientes devem procurar renegociar as dívidas que possuem maior taxa de juros, afrima Estevão Alexandre Garcia, coordenador do curso de pós-graduação em Gestão de Custos e Negócios da Faculdade Fipecafi.

"De acordo com a própria Caixa Econômica Federal, os valores mais baixos terão os maiores descontos, considerando que estas despesas, em geral, são dos clientes de baixa renda.

Por isso, é aconselhável que, ao negociar o valor, o cliente leve em consideração as dívidas que cobram as maiores taxas de juros, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos que possuam alguma garantia real, como, por exemplo, parcelas de imóveis e carros", comentou Garcia.

Professor de finanças de Fabio Gallo, da FGV EAESP, ressaltou os cuidados que as pessoas devem ter ao entrar nesses tipos de programa. Para ele, as pessoas têm que "organizar as finanças, fazer um orçamento familiar e grupos de despesas, como água e alimentação, para dessa forma ter certeza de como ter dinheiro de sobra para pagar".

Gallo deu algumas dicas para os clientes que pretendem entrar no negócio. "Pedir as contas por escrito para checar. A conta tem que estar certa (não tem juros a mais para pagar), por isso é necessário pegar em papel, verificar e ver com calma. Fazer o orçamento e entrar no negócio sabendo qual o esforço a realizar", concluiu.

(R7)

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