O brasileiro não é caloteiro, e a inadimplência acontece, independentemente de ser rico ou pobre, porque há descontrole financeiro. A conclusão é do CEO da Serasa Experian e da Serasa Experian América Latina, José Luiz Rossi, em entrevista exclusiva na série UOL Líderes.

Para ele, o desemprego alto é uma das principais causas desse descontrole. Outro motivo importante é a falta de educação financeira. Ele diz que o cadastro positivo ajudará os bons pagadores e aconselha as empresas a se prepararem para a Lei de Proteção de Dados.

“O nosso perfil é muito semelhante ao de outros países, como, por exemplo, os Estados Unidos. O mais curioso é que não só não acho que ele é caloteiro, como também não é “privilégio” de um extrato social. O percentual da população que é inadimplente é igual nas classes A, B, C, D e E. A diferença é que na classe E é uma inadimplência de alguém que comprou um tênis e não conseguiu pagar. Na classe A, o produto é um carro, que ele não conseguiu pagar. Mas os percentuais são iguais. Está mais ligado a um descontrole de gestão financeira do que efetivamente com o poder aquisitivo. É preciso ter disciplina financeira. O conhecimento hoje é difundido, todo mundo sabe que, se não pagar uma conta, terá juros. A atitude também é conhecida. Se gastar mais do que ganha é uma má atitude. Você tem o conhecimento, mas a atitude e o comportamento são inadequados. Esse perfil independe de classe social”, disse Luiz Rossi.

E sobre como diminuir a inadimplência com 13 milhões de desempregados, Luiz Rossi complementou: “Esse é um problema sério. Temos 62 milhões de pessoas no cadastro negativo da Serasa. Com o cadastro positivo, vamos receber dados de 137 milhões de pessoas, então cerca de 45%, que são economicamente ativas estão no cadastro negativo. Uma das principais razões para estar inadimplente é o desemprego. Com mais 13 milhões de desempregados, reduzir esse número de inadimplentes é um desafio. Mas se a economia melhorar, se as pessoas voltarem a ter emprego formal ou informal, naturalmente isso vai diminuir. Essa situação de fragilidade econômica gera outros tipos de problema, como estresse social, baixa autoestima. É um desafio.”

(UOL)

Sistema RPBrasil de Comunicação

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui