Essa é Israel, a nação das startups
Um país que completou 70 anos de independência em 2018, no qual 8 milhões de pessoas ocupam um espaço menor do que o estado de Sergipe. Em meio ao deserto de Neguev — uma região inóspita e árida — são criadas mais de 12.400 startups todo ano, empresas como Waze, Wix e Viber, concentrando também mais de 250 centros de Pesquisa & Desenvolvimento de grandes corporações globais. Além disso, 96 empresas nascidas no Estado de Israel já fizeram seu IPO na bolsa de valores de Nasdaq. 
Um objetivo comum que une toda a nação
Os israelenses acreditam que todo judeu tem o direito a ter uma nação para onde voltar — vivendo de forma livre e independente. Para um país tão novo, com apenas 80 anos de existência, e literalmente cercado por inimigos, garantir que essa grande conquista não se perca é a missão de cada israelense. Não há nada mais efetivo para unir as pessoas do que ter um objetivo comum. Talvez mais forte que isso só se for um inimigo comum.
Yossi Vardi, é um dos grandes ícones do país. A família desse empreendedor, já próximo dos seus 80 anos, sempre esteve em Israel — muito antes da tão esperada independência. Ele nasceu durante a Segunda Guerra Mundial em uma família simples, em um país que ainda não podia chamar de seu. Passou por diversas guerras, viu o estado de Israel nascer diante dos seus olhos ainda criança e cresceu para dedicar sua vida às startups. Acertou em cheio muito cedo (em 19 meses vendeu o ICQ por mais de US$ 90 milhões) e, depois disso, continuou a investir em 86 startups em Israel e se tornar uma lenda no ecossistema de tecnologia.
“O componente do caráter é uma das coisas mais importantes em um empreendedor. Aqui, o negócio de todo mundo é ajudar as startups. Isso é paixão — uma força interna de que você deve construir algo. Você deve ajudar outras pessoas porque, em um país tão pequeno como o nosso, todo mundo conhece todo mundo.” Yossi Vardi
Serviço militar como a primeira grande escola para empreendedores
Todo israelense sabe que vai doar pelo menos três anos de sua vida ao serviço militar, logo depois de se formar na escola, aos 17 ou 18 anos. E, até os 45 anos de idade, continua como reservista, dedicando um mês por ano para se atualizar junto ao seu batalhão original.
Essa experiência faz com que os israelenses vivam, ainda muito jovens, algumas situações que os obrigam a tomar decisões, e muitas vezes questionar a hierarquia — já que não há tempo de esperar por uma ordem de cima quando seu batalhão corre perigo em campo. Essa característica cultivada no combate os leva a desenvolver uma liberdade de questionar qualquer modelo existente, valorizando a horizontalidade em vez da hierarquia.Desde cedo, cada um é avaliado pelos seus atributos, para serem alocados em unidades diferentes do Exército. Em algumas bases mais disputadas, como a Unidade 8200, a maior das Forças de Defesa de Israel, eles passam por testes psicológicos, físicos e mentais, em um período conhecido como Gibosh.
“Não existe cadeado que você não possa quebrar. Depende apenas de quanta energia você está disposto a colocar nisso.” Dror Shared, Wix
Um outro significado para a palavra risco
Depois de servir o Exército e ter enfrentado perigos reais em campo, o risco de quebrar uma empresa ganha uma nova dimensão. Na maioria das culturas pelo mundo, se você falhar, está acabado. Mas, em Israel, o fracasso é visto como um ótimo aprendizado sobre o que não fazer.
Dov Moran, fundador da Grove Ventures, fundo de investimento em empresas early-stage focado em IoT, cloud e soluções de big data conta que sempre buscou nos empreendedores uma combinação de flexibilidade e persistência. Ele é um dos mais reconhecidos empreendedores e líderes de Israel, sendo considerado um dos pioneiros da tecnologia de armazenamento e da criação do USB. Na época em que cumpria o serviço militar, em 1973, foi o coronel de seu batalhão quem assinou o primeiro cheque para ele iniciar a empresa. “Lembro que me pediram um plano de negócios, mas eu não tinha ideia do que era aquilo. Nem deu tempo, na verdade, de criar um. Crescemos 200 vezes em 4 anos. Depois disso, achei que tudo estava resolvido, mas então a pergunta mudou: como eu vou sobreviver? Por mais que tivéssemos um sistema melhor do que os concorrentes, eles tinham dinheiro. Depois de recusar seis propostas, decidimos vender o negócio quando a empresa já chegava a 1.000 pessoas.”

Para Uri Levine, fundador do Waze, a velocidade de decisão se mostrou mais importante do que a necessidade de estar certo o tempo todo. “Na vida, existem as decisões certas e as não-decisões. Quanto mais cedo você decidir, melhor. O maior inimigo do bom não é o ótimo, é o não feito. Dando esses baby steps a cada decisão, você acaba do outro lado da jornada.”
Empresas globais desde o dia 1
No dia em que Israel declarou sua independência, os países vizinhos invadiram seu território. Com o forte apoio dos Estados Unidos, Israel derrotou seus adversários, ocupando os territórios da Galileia, o Deserto de Neguev e a Cisjordânia, a oeste do rio Jordão. Nessa guerra, 1% da população foi dizimada. Em um território tão pequeno e cercado de inimigos prontos para atacar ao menor sinal de vulnerabilidade, o Estado de Israel só tem uma chance: crescer com os olhos no mundo.
É crucial para o sucesso das startups não depender apenas do mercado interno, mas sim criar produtos e serviços globais com embalagens em inglês, adaptados à cultura ocidental e escaláveis pelo digital. Com esse movimento de ir para o mundo, um fenômeno tem se manifestado: o mundo também está indo para Israel. As grandes corporações estão migrando suas sedes de Pesquisa & Desenvolvimento para usufruir do hub de desenvolvimento intelectual abundante na região.
(Endeavor Brasil)

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